Escolas artísticas protestam por maior apoio financeiro do Estado
Hoje 11:46
— Lusa/AO Online
“Nós
somos provavelmente a única modalidade de ensino [ensino artístico
especializado] que ainda está a ser financiada pelo Estado com valores
definidos em 2009, o que é absolutamente inaceitável”, disse à Lusa o
diretor da Academia de Música de Lisboa, Rui Fernandes, referindo que 50
escolas já confirmaram que vão estar presentes no protesto, em frente
ao Ministério da Educação, às 15h00.Outra
reivindicação no protesto em defesa do ensino artístico especializado,
em que participam também pais e pessoal não docente, é a publicação até
ao final de abril dos contratos de patrocínio, ou seja, o conjunto de
vagas das escolas para alunos que vão estudar gratuitamente, por terem o
apoio financeiro do Estado.Rui Fernandes
indicou que há já oito anos que o Estado tem divulgado os concursos dos
contratos de patrocínio em julho ou agosto, o que traz problemas, como
por exemplo os alunos não saberem se podem entrar num curso básico de
música ou os professores não saberem quantas horas de aulas podem dar. “É
sempre à última da hora. As escolas vivem numa agonia e numa angústia
durante o período de férias, sobretudo as direções, porque nunca sabem
com o que podem contar”, disse o diretor da Academia de Música de
Lisboa, referindo que os contratos já chegaram a ser divulgados 10 dias
antes de as aulas começarem. O acesso
"equitativo e justo" à rede do ensino artístico especializado (música,
dança, teatro, artes visuais e audiovisuais), para que nenhum aluno seja
excluído por falta de vagas ou por desigualdades territoriais também
faz parte da lista de reivindicações.O
Conservatório David de Sousa, na Figueira da Foz (distrito de Coimbra), o
Conservatório Silva Marques Vila Franca de Xira (distrito de Lisboa) e a
Escola de Música de Nossa Senhora do Cabo, em Oeiras (distrito de
Lisboa) organizaram o protesto.A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo anunciou hoje juntar-se à manifestação. “Isto
é uma luta que temos feito também em representação das escolas, da
atualização do valor que está congelado há mais de 10 anos”, disse hoje à
Lusa o diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino
Particular e Cooperativo. Rodrigo Queiroz e
Melo disse ainda que 98% dos alunos frequentam o ensino artístico em
conservatórios do particular e cooperativo.De
acordo com um comunicado da associação, "desde 2009, os sucessivos
Governos têm vindo a desinvestir e a desconsiderar a rede de
conservatórios que integra um número significativo de Estabelecimentos
Privados que são frequentados atualmente por 32.000 alunos".