Escola de Música de Rabo de Peixe sem apoio do RJAAC

Hoje 10:30 — Daniela Arruda

Pela primeira vez desde que a Escola de Música de Rabo de Peixe existe, a associação não recebeu qualquer apoio financeiro no âmbito do Regime Jurídico de Apoio às Atividades Culturais (RJAAC), atribuído pela Direção Regional da Cultura.A notícia caiu como um balde de água fria sobre a direção que gere a escola e levanta preocupações sobre a continuidade de um projeto que, há 25 anos, tem sido mais do que um lugar onde se aprende música, mas também um espaço de acolhimento comunitário.“Afeta-nos, naturalmente”, admite Lázaro Raposo, presidente da Escola de Música de Rabo de Peixe. “Sempre tivemos um papel de cariz social muito forte e uma grande parte dos nossos alunos frequenta a escola gratuitamente”, acrescenta.A escola conta com mais de 50 alunos e estima que cerca de metade beneficie das aulas sem qualquer custo para as famílias. E são sobretudo esses jovens, muitos deles de contextos socioeconómicos mais vulneráveis, que podem vir a ser os mais prejudicados pela falta de financiamento.A associação tornou pública a “profunda tristeza” que sente perante a decisão e denuncia que esta coloca em risco um dos princípios da escola: a possibilidade de frequentar de forma gratuita oficinas de instrumentos destinadas a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade económica, social ou familiar.Lázaro Raposo sublinha que a escola se tornou numa referência para a comunidade de Rabo de Peixe, que promove a formação musical, a inclusão social, o desenvolvimento pessoal e que, acima de tudo, cria oportunidades para estes jovens.“Para muitos destes alunos, a escola é mais do que uma escola de música, é um espaço de pertença, de crescimento e de apoio”, confessa.A direção diz que não conhece as razões que levaram à não aprovação da candidatura, mas adianta que está a analisar a situação e que pretende pedir esclarecimentos à Direção Regional da Cultura nos próximos dias.Apesar da desilusão, a associação garante que não vai baixar os braços: “Nós não vamos ficar de braços cruzados, já começámos a trabalhar para encontrar alternativas e manter a escola aberta”, afirma o presidente.Apoio junto das entidades locaisA Escola de Música de Rabo de Peixe já começou a procurar alternativas para compensar a falta do apoio regional. Uma das medidas passa por fazer reuniões com a Junta de Freguesia de Rabo de Peixe e com a Câmara Municipal da Ribeira Grande, a intenção é conseguir reforçar os apoios locais para o próximo ano letivo.Segundo Lázaro Raposo, estas entidades já têm apoiado a escola ao longo dos anos, mas a situação obriga agora que a direção procure um reforço desse apoio. Por agora, o presidente assegura que o final deste ano letivo não está em causa e que todas as atividades previstas vão acontecer.Esta decisão da Direção Regional da Cultura surge no ano em que a escola celebra 25 anos de existência, um marco que a direção esperava assinalar com várias iniciativas comemorativas.Lázaro Raposo lamenta a decisão e considera que ela reflete uma visão da cultura que favorece projetos mais visíveis ou de cariz mais comercial, e que deixa para segundo plano iniciativas cujo impacto é sentido no dia a dia da comunidade longe dos grandes holofotes.“Para haver cultura, é preciso também haver quem forme os músicos e os artistas. Esse trabalho é deixado muitas vezes para trás, mas é essencial”, defende.Apesar da preocupação, o foco está em encontrar soluções: “Não vamos entrar numa espiral de lamentações. Arregaçámos as mangas logo que soubemos da decisão e estamos a trabalhar em várias frentes. Acredito que, no final, vamos encontrar uma solução”, conclui o presidente.É assim que a Escola de Música de Rabo de Peixe procura resistir depois de ver a sua candidatura ao RJAAC ficar sem apoio.