Escola de Infantes e Cadetes da Ribeira Grande já formou jovens que hoje são bombeiros
Hoje 11:01
— Daniela Arruda
Alguns dos bombeiros que hoje fazem parte do quadro ativo dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande começaram o seu percurso na Escola de Infantes e Cadetes da associação. O projeto existe desde 2014 e foi o primeiro do género a ser criado nos Açores.“Os anos foram passando... Naturalmente, os miúdos vieram para aqui com sete ou oito anos e, 12 anos depois, já são homens e mulheres. Alguns acabaram por ficar e hoje fazem parte do nosso quadro de ativos”, conta José Nuno Moniz, comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande.Quando a escola foi criada, a associação adaptou as orientações que já existiam a nível nacional à realidade local. Iniciou-se, assim, o projeto com o objetivo de aproximar as crianças e os jovens dos bombeiros e de despertar o interesse pela proteção civil e pelo voluntariado.“Queríamos trazer os miúdos para aqui para que eles, entretanto, fossem ganhando amor à camisola e gosto por aquilo que são os bombeiros”, explica.No início, a escola chegou a ter entre 50 a 60 participantes. Inicialmente, as crianças entram como Infantes, a partir dos seis anos, e ficam até aos 11 anos. Depois passam para Cadetes até aos 16, “sendo que aos 17 já se podem inscrever numa formação inicial de bombeiros”, acrescenta o comandante.No que diz respeito ao fardamento, a associação, no início, pediu o apoio de algumas famílias, mas depois acabou por assumir os custos.“Nós é que os fardámos. No princípio ainda pedíamos ajuda a alguns pais, mas depois havia uns que tinham disponibilidade e outros que não. Então, a direção decidiu que iria assumir a totalidade da compra do fardamento que eles usam”, diz José Nuno Moniz.E o que é que os miúdos fazem na escola?Apesar de muitos jovens estarem na escola por gostarem dos bombeiros, o comandante sublinha que são trabalhadas outras áreas além da componente operacional.“No fundo, o que nós queremos é desenvolver o espírito de cidadania, de respeito mútuo e de disciplina nessas crianças, e dar-lhes alguma formação adequada às idades”, explica.Como as idades variam entre os seis e os 16 anos, as atividades têm de ser adaptadas a cada grupo: “Uma coisa é um miúdo de seis anos, outra coisa é um de 16, são coisas completamente diferentes”, sublinha.Atualmente, a escola conta com três responsáveis que orientam a formação dos participantes. Ao longo do ano, os jovens aprendem primeiros socorros, suporte básico de vida, utilização de mangueiras e extintores, combate a incêndios de pequena dimensão e participam em exercícios de busca e salvamento.A formação decorre durante, pelo menos, dez meses por ano. E, regra geral, as sessões acontecem aos sábados, mas o calendário é sempre ajustado à disponibilidade dos bombeiros responsáveis.A participação é totalmente gratuita, incluindo o fardamento. Ao longo dos anos, a procura tem aumentado e a escola passou a receber inscrições não só da Ribeira Grande, como também de outros concelhos da ilha. Houve até uma altura em que foi preciso limitar o número de participantes para 50, devido à procura.As crianças e os jovens chegam à formação por recomendação de amigos ou por serem familiares de bombeiros: “Há alguns que, naturalmente, vão saindo, há quem desista também e saia, como tudo na vida, e entretanto vamos abrindo vagas para aqueles que estão interessados”, conta.Apoios reforçam um projeto que já existiaDepois da Ribeira Grande, outras associações de bombeiros da Região seguiram o mesmo caminho. Atualmente, existem 11 Escolas de Infantes e Cadetes nos Açores, envolvendo cerca de 300 crianças e jovens.José Nuno Moniz considera que os apoios que entretanto foram criados pelo Governo Regional vieram reforçar um trabalho que já era feito há anos por várias corporações.“O Serviço Regional apoia cada Infante e cada Cadete com um valor monetário e depois cada atividade que eles venham a desenvolver também tem um apoio. Portanto, no fundo, a intenção foi apoiar as escolas que já existiam, incentivar a criação de novas e ajudar aquelas que já tinham sido criadas”.Para o comandante, estes apoios permitem aliviar parte das despesas associadas ao funcionamento das escolas e incentivar mais associações a criarem projetos semelhantes.O crescimento desta iniciativa levou ainda à realização do primeiro Curso de Instrutor de Escola de Infantes e Cadetes, pela primeira vez nos Açores, que reuniu 17 responsáveis pelas escolas que existem na Região.“A formação foi importante para preparar melhor, do ponto de vista pedagógico, os responsáveis pelas Escolas de Infantes e Cadetes”, conclui José Nuno Moniz.