Escola Antero de Quental vai ser ampliada este ano
Hoje 09:12
— Filipe Torres
A Escola Secundária Antero de Quental (ESAQ), também conhecida como Liceu, comemorou o seu 174.º aniversário, onde reuniu alunos, professores, funcionários, encarregados de educação e entidades públicas e privadas, numa celebração que valorizou a história da instituição e os desafios futuros. O presidente do Conselho Executivo, Carlos Amaral, explicou que o Dia da Escola, normalmente a 21 de fevereiro, foi celebrado mais tarde por ter calhado no fim de semana e para permitir maior participação, destacando o compromisso da escola com um ensino de qualidade e o bem-estar da comunidade.Instalada no histórico Palácio da Fonte Bela desde 1921, a escola enfrenta desafios acrescidos na manutenção do edifício. Segundo Carlos Amaral, os custos de conservação são significativamente superiores aos de escolas construídas de raiz.“A falta de recursos financeiros para a restauração é uma das maiores dificuldades. Estamos sediados num palácio com um espólio valiosíssimo que é urgente preservar. Há infiltrações, como é natural num edifício antigo e numa terra húmida como a nossa, mas é necessária uma intervenção mais profunda”, explicou ao Açoriano Oriental.A solução passa pela construção de um novo bloco de salas de aula, cuja obra deverá arrancar ainda este ano, após a atribuição de um milhão e meio de euros inscritos no Orçamento Regional. O novo pavilhão ficará localizado a oeste do campo de jogos, em frente ao bloco construído em 1965, que também carece de manutenção.Apesar de reconhecer que a verba inicial não é suficiente para concluir a empreitada, o presidente do Conselho Executivo considera o financiamento um bom indicador.Combater o isolamento digital com “santuários” livres de telemóveisEntre os desafios atuais, a escola enfrenta também a crescente dependência dos alunos das novas tecnologias. Carlos Amaral alertou para a diminuição da socialização entre os jovens. “Passamos pelos corredores e vemos muitos alunos agarrados ao telemóvel. É uma realidade que continua”, referiu.Em articulação com a Associação de Pais, a escola prepara a criação de espaços designados como “santuários”, livres de telemóveis e outras tecnologias, numa lógica de compromisso e sensibilização, sem recorrer à proibição total.“Queremos estimular a socialização, a leitura, a vida ao ar livre, o diálogo. O digital tem vantagens, mas atenua algumas competências essenciais”, sublinhou, apelando aos alunos para que conciliem as novas tecnologias com métodos tradicionais de aprendizagem.Uma referência histórica na Região Autónoma dos AçoresNa sua intervenção, Carlos Amaral destacou o papel central da escola na história educativa e política da Região. Fundado em 1852, então instalado no Convento da Graça, o liceu formou várias figuras de relevo regional e nacional.Todos os presidentes do Governo Regional dos Açores foram alunos da instituição: João Bosco Mota Amaral, Alberto Madruga da Costa, Carlos César, Vasco Cordeiro e José Manuel Bolieiro.Além disso, salienta que a ESAQ orgulha-se de antigos alunos e professores que dão nome a outras instituições e espaços culturais da Região, como Roberto Ivens, Canto da Maia, Domingos Rebelo e Carlos Machado. Sob o patrono Antero de Quental, a escola afirma-se como herdeira de um ideal humanista, de pensamento crítico e exigência intelectual.Município de Ponta Delgada reforça apoio à educaçãoEm representação da Câmara Municipal de Ponta Delgada, a vereadora Cristina do Canto Tavares enalteceu a longevidade da instituição e o seu papel estruturante no concelho.A autarca sublinhou o investimento municipal na qualificação das escolas, sobretudo ao nível do primeiro ciclo, e o apoio concedido a estudantes através de bolsas e prémios de mérito. Em 2023, o município apoiou mais de 200 candidaturas ao ensino universitário, número que ascende atualmente a cerca de 500 apoios ativos.“Não há sucesso sem trabalho. O sucesso que hoje celebramos é fruto do vosso trabalho”, afirmou.