Ermida ganha nova cara em ação solidária que junta comunidade
Hoje 09:12
— Nuno Martins Neves
Quis o destino que, um certo dia, Pedro Anglin fizesse uma pequena mudança no percurso que faz, diariamente, a caminho do trabalho. Em vez de tomar a rua Manuel da Ponte para chegar ao Centro de Empresas do banco BPI, situado defronte à igreja Matriz, decidiu seguir pela rua Machado dos Santos. E foi nesse dia que, olhando para a sua esquerda, se apercebeu do estado de conservação da Ermida de São Brás - também conhecida por Santa Luzia. E soube: “Porque não sugerir fazer uma intervenção?”.Apoiado no programa de voluntariado da instituição bancária, que ajudou nos custos, Anglin angariou os colegas no Centro de Empresas, a que se juntaram os do balcão da Ribeira Grande. E durante alguns dias, foi altura de meter “as mãos à massa”: de lixa e trincha na mão, os trabalhadores bancários entregaram-se à recuperação da fachada.“Para meu espanto, as colegas prontamente aderiram, começaram a lixar as madeiras e uma delas até subiu uma escada para colocar jornais, para proteger as ombreiras da porta da ermida, pois eu e a maior parte dos homens que participaram na ação passa mal nas alturas (risos)”.Portas, paredes e fechaduras: a ermida sofreu uma intervenção que não passou despercebida às muitas pessoas que passam naquela rua, que elogiaram a “nova cara” da Ermida, um local muito apreciado por locais e turistas, que não se coíbem de tirar fotografias sempre que passam na rua.A ação de voluntariado ganhou tração na comunidade, com os diversos comerciantes da rua Machado dos Santos a expressar a sua vontade de colaborar com a ideia de construir uma imagem do padroeiro (São Brás) em pedra, para colocar no nicho por cima da porta, partilha Pedro Anglin.A iniciativa na Ermida de São Brás faz parte da filosofia do banco, com ações de voluntariado, explica a diretora do Centro de Empresas.Em declarações ao jornal, Raquel Rodrigues explica que o BPI, “no que respeita à parte social, tem um compromisso forte com as instituições sociais, com um compromisso de devolver à sociedade uma parte dos lucros que gera”.Além do programa de voluntariado, o banco tem outras ações sociais, algumas em curso na Região, “como o Proinfância, na Câmara Municipal de Ponta Delgada, que apoia crianças, jovens e agregados familiares em situação de vulnerabilidade e este ano chegou às 40 famílias; o Programa de Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas “Humaniza, noHospital do Divino Espírito Santo; ou o programa Incorpora, destinado a jovens NEET (não estudam, nem trabalham) com o Governo Regional dos Açores”, assinala a diretora do Centro de Empresas. Paróquia feliz por gesto da comunidadeA intervenção dos voluntários do banco BPI na Ermida de São Brás - popularmente conhecida como de Santa Luzia - foi muito bem recebida pela paróquia que, explica o cónego Adriano Borges, “está muito concentrada em resolver os muitos problemas existentes na Igreja Matriz de Ponta Delgada”.O pároco refere que a ermida encontra-se fechada por precaução e segurança, pois há poucos meses o teto caiu junto ao altar. “A Junta de Freguesia de São Sebastião está a envidar esforços para conseguir arranjar o teto. Fico muito feliz pela intervenção do banco”.O cónego Adriano Borges esclarece que o titular da ermida é São Brás, “mas de há muitos anos a esta parte é conhecida como Santa Luzia. Há uma grande devoção a esta santa, com a paróquia a receber muitos donativos em honra de Santa Luzia, de pessoas da freguesia e de vários pontos da ilha”.