Ermida de Nossa Senhora da Paz em Vila Franca do Campo elevada a santuário diocesano
2 de jan. de 2025, 09:35
— Lusa/AO Online
“Oxalá
que este seja um santuário, também, respeitoso da natureza, que seja
ecologicamente sustentável, possa ter técnicos e artistas, gente
interessada em fazer um santuário próprio do século XXI, que fale ao
homem de hoje, com as mesmas necessidades de oração, de peregrinar e de
se converter de todas as épocas, mas também, provavelmente, por formas e
caminhos novos”, disse o bispo D. Armando Esteves Domingues na sua
homilia.Segundo o prelado diocesano, o
novo santuário é o primeiro mariano da ilha de São Miguel e o terceiro
mariano da diocese de Angra, que se junta aos cinco já existentes nos
Açores: Senhor Santo Cristo (São Miguel), Senhor Santo Cristo da
Caldeira (São Jorge), Senhor Bom Jesus (Pico), Nossa Senhora da
Conceição e Nossa Senhora dos Milagres (Terceira).A
decisão de elevação da ermida de Nossa Senhora da Paz a santuário foi
tomada por unanimidade pelo Conselho Presbiteral, em abril de 2024,
“depois de vários apelos feitos ao longo de mais de vinte anos”, indicou
a diocese de Angra em comunicado.Na
cerimónia realizada no dia em que a igreja católica comemora o
Dia Mundial da Paz, D. Armando Esteves Domingues referiu que a
elevação da ermida de Nossa Senhora da Paz a santuário é “fruto de um
longo percurso de oração, manifestação pública e peregrinação”.“Já
muitos aqui caminharam [em direção] à ermida, numa confissão de fé (…).
Podemos mesmo dizer que este santuário, de certa forma, já era
‘consagrado’ pela afluência de peregrinos e pode, por isso, dizer-se que
há santuários ‘de facto’, [e] que este até já era um pouco na devoção
popular. Já muitos peregrinos aqui tomaram decisões que certamente
marcaram as suas vidas”, afirmou.E
prosseguiu: “Se calhar as paredes, sobretudo da ermidinha, agora
santuário, contêm certamente histórias de conversão, de perdão e de dons
recebidos, que muitos poderiam contar”.Armando
Esteves Domingues assumiu que o templo religioso de Nossa Senhora da
Paz inicia “uma nova história” e deixou algumas recomendações aos
reitores e a quem vai colaborar na pastoral do novo santuário mariano da
ilha de São Miguel.Uma das recomendações
está relacionada com o acolhimento aos peregrinos e, por muitos serem
turistas, pediu aos responsáveis que procurem “tentar proporcionar-lhes
uma profunda experiência de Deus”.Outro aspeto é “dar tempo para a proximidade” de quem procura conforto espiritual e humano ou “apenas uma conversa amiga”.O
bispo de Angra desejou ainda que o novo santuário seja um centro de
irradiação espiritual na região e na ilha, “com dinâmicas de nova
evangelização como o papa recorda num documento recente para os
santuários”, bem como um lugar de divulgação da espiritualidade mariana.“Oxalá
que hoje aqui se levante a bandeira da paz”, para aproximar os homens e
para que a força da oração seja “mais forte que as armas”, desejou
ainda o prelado diocesano de Angra.A
ermida de Nossa Senhora da Paz, no concelho de Vila Franca do Campo, foi
construída em 1764, mas “remonta a um templo mais primitivo, erguido,
possivelmente, no século XVI, no local onde um pastor terá encontrado
uma imagem da Virgem numa gruta”, segundo a diocese.“O
atual templo, erguido sobre o anterior, data do século XVIII e tem a
particularidade do acesso ser feito por uma escadaria de 100 degraus,
cujos patamares representam os mistérios ‘gososos e dolorosos’,
correspondendo no seu conjunto a dois terços do rosário”, acrescenta.O templo está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Governo Regional dos Açores desde 1991.