Erdogan negoceia com Putin venda de gás russo à Eslováquia através de gasoduto turco
21 de jan. de 2025, 11:12
— Lusa/AO Online
"Desde que a Ucrânia
cortou o gás à Eslováquia, disse que tomaremos medidas e falei com Putin
sobre as necessidades de gás da Eslováquia", destacou Erdogan, numa
conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro eslovaco,
Robert Fico, numa visita oficial a Ancara.A
Eslováquia cobriu cerca de dois terços das suas necessidades de gás
natural graças a um contrato com a empresa russa Gazprom, assinado em
2019, que transitava através de gasodutos ucranianos. O acordo, no
entanto, expirou a 01 de janeiro e Kiev recusou-se a renova-lo.Fico
tinha indicado recentemente que conseguiu garantir o fornecimento
através do gasoduto turco-balcânico que atravessa a Hungria, mas sem
adiantar pormenores."O gasoduto Turkstream
(que atravessa o mar Negro desde o sudoeste da Rússia até às costas
europeias da Turquia) tem dois gasodutos, um para consumo turco e o
outro é para trânsito e poderíamos utilizar a capacidade deste",
explicou Fico.O eslovaco agradeceu a
Erdogan por ter sugerido esta opção e por estar em contacto com a
Rússia, referindo que é necessário chegar a um acordo com Moscovo para
aumentar o fluxo."Estamos a negociar, não
sabemos se chegaremos a acordo, mas não há nenhuma lei europeia que o
impeça", insistiu o político eslovaco.Erdogan
manifestou-se otimista, prevendo que a sua "diplomacia telefónica" com
Putin e a do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Hakan Fidan, com o
seu homólogo russo, Sergei Lavrov, irá produzir resultados "dentro desta
semana".Fico reiterou ainda a sua posição
a favor de um cessar-fogo imediato na Ucrânia e criticou a postura do
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e de "vários países da UE", que,
segundo o governante eslovaco, gostariam de continuar a guerra "pelos
seus interesses geopolíticos"."Devemos ser
realistas. Não podemos esperar que a Rússia se retire dos territórios
que agora controla, nem que a Ucrânia se junte à NATO agora, não é
possível. Para uma paz justa, devemos encontrar um compromisso que ambos
possam aceitar", defendeu Fico.