Erdogan acusa oposição turca de apoiar “tendências pervertidas LGBT”
19 de abr. de 2023, 16:48
— Lusa
“Lutaremos contra
as tendências pervertidas, como os LGBT, que ameaçam a família”,
declarou o chefe de Estado turco numa entrevista à televisão pública
TRT, emitida esta madrugada.Erdogan
apontou como defensores da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e
Transgénero) tanto o principal partido da oposição, o social-democrata
CHP, como o terceiro maior partido com assento parlamentar, o
esquerdista e pró-curdo HDP, que descreveu apenas como “o braço político
do PKK”, Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que alguns países,
entre os quais os Estados Unidos e a Turquia, incluíram nas suas listas
de organizações terroristas.Sublinhou
também que os partidos conservadores que se aliaram ao social-democrata
CHP para as eleições, especialmente o nacionalista IYI, também não se
pronunciaram contra essa política.“Até
hoje, ninguém se levantou para dizer ‘Somos contra os LGBT’. E o que
quer isso dizer? Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”, concluiu o
Presidente turco, candidato à reeleição em maio.O
esquerdista Partido dos Trabalhadores (TIP), que formou uma coligação
com o HDP, incluiu nas suas listas três candidatos transexuais, embora
seja pouco provável que cheguem ao hemiciclo.Já
anteriormente, vários partidos, entre os quais o CHP, tiveram
transexuais entre os seus governantes locais ou como pré-candidatos; não
há, no entanto, políticos turcos que se tenham assumido publicamente
como homossexuais. A homossexualidade é
legal na Turquia desde 1858, embora rejeitada por largos setores da
sociedade, e entre 2003 e 2014 realizou-se anualmente em Istambul uma
Marcha do Orgulho Gay, depois proibida quando Erdogan adotou posições
mais islamistas.Contudo, tanto em 2016
como no ano passado, o chefe de Estado turco convidou para os seus
jantares oficiais de fim do jejum do Ramadão a famosa cantora e atriz
transexual Bülent Ersoy, que declarou o seu total apoio ao Presidente.Nas
eleições legislativas e presidenciais de 14 de maio, o Presidente Recep
Tayyip Erdogan, no poder desde 2003, confronta-se com um candidato
apoiado por seis forças da oposição, e as sondagens admitem a derrota do
também líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP,
islamita-conservador) que domina o parlamento de Ancara.