Erdogan acusa Europa de acolher terroristas e golpistas turcos e rejeitar migrantes
23 de dez. de 2022, 17:12
— Lusa/AO Online
“O efeito negativo
das vagas de ódio, produto de um ponto de vista perverso dirigido aos
muçulmanos, permanece na nossa vizinhança. A atitude da Grécia chegou a
um ponto de brutalidade”, disse o chefe de Estado turco na abertura de
um congresso judicial em Istambul dedicado ao mundo islâmico. Erdogan
acusou os países europeus de acolherem requerentes de asilo do
ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha
curda da Turquia, e da confraria do predicador exilado Fethullah Gülen, a
quem atribuiu o fracassado golpe de Estado de 2016. “Convertem
as suas portas em muros para sírios, iraquianos e africanos, mas
franqueiam a entrada aos terroristas do PKK e aos gulenistas”, insistiu.
Erdogan recordou que a Turquia pediu com
insistência a numerosos países europeus a extradição de importantes
membros da confraria de Gülen, que fugiram do país após o falhanço do
golpe, mas sem obter resposta. Gülen, até
2012 um aliado próximo do Governo de Erdogan, e cujos seguidores
ocupavam altos cargos no aparelho de Estado, em particular no sistema de
ensino, na área judicial, na polícia ou nas Forças Armadas, vive
exilado nos Estados Unidos desde 1999. As
autoridades norte-americanas envolvidas neste caso indicam que os
documentos enviados por Ancara para pedir a sua extradição não são
suficientes para um processo judicial.