Equiparação de guardas-florestais das ilhas aos do continente aprovada na generalidade
23 de dez. de 2022, 11:43
— Lusa/AO Online
A
proposta do PS foi aprovada na generalidade por unanimidade e a do PSD
com os votos favoráveis de quase todos os partidos, com exceção dos
socialistas, que se abstiveram.O PAN e o
Chega apresentaram projetos de lei com os mesmos objetivos, mas ambos
foram ‘chumbados’ pela maioria socialista, merecendo dos outros partidos
votos favoráveis ou abstenções. Em 2006, o
Corpo Nacional da Guarda Florestal foi extinto na Direção-Geral dos
Recursos Florestais e integrado na Guarda Nacional Republicana (GNR),
mas o processo não abrangeu os profissionais dos Açores e da Madeira. Em
2015 foi publicado um novo estatuto para a carreira de
guarda-florestal, aplicado somente ao pessoal em funções na GNR, ou
seja, do continente.As regiões autónomas
têm, por isso, defendido a necessidade de reforçar os poderes de
autoridade destes trabalhadores e a sua equiparação aos colegas do
continente, inclusive para efeitos de aposentação.A
discussão que ocorrerá agora em comissão parlamentar (a que se seguirá a
votação final) visa alterar disposições relativas a poder de
autoridade, uso da força, faculdade de proceder a revistas e apreensões,
direito de acesso em funções, e detenção, uso e porte de arma -
matérias sobre as quais as legislações regionais são omissas (pelo menos
de forma exaustiva) e que, como refere o PS, estão “na esfera de
competência reservada da Assembleia da República”.A
omissão, descreve a proposta socialista, “pode gerar riscos
desnecessários a quem se dedica a uma atividade que se entrecruza com
situações de perigo, de confronto com agentes incumpridores da lei ou
que suscitam momentos de potencial tensão no quadro da atividade
fiscalizadora”.Também o projeto de lei
social-democrata indica que a ausência de legislação específica “tem
proporcionado, por diversas vezes, situações de perigo para estes
profissionais, resultantes de comportamentos de infratores, em especial
no âmbito da fiscalização do exercício da caça ilegal”.Os
diplomas visam ainda assegurar equidade no regime de aposentação. A
iniciativa do PSD lembra que os guardas-florestais do continente podem
reformar-se seis anos antes da idade normal de aposentação sem
penalizações.As reivindicações têm sido
feitas também por representantes dos profissionais: o Sindicato dos
Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades Com Fins Públicos
considera estar em causa uma situação de “injustiça”, já que se trata do
“mesmo tipo de trabalho”.A polícia
florestal das ilhas tem estado, segundo o sindicato, “um bocadinho à
deriva”, sem proteção legal, o que os faz sentir inseguros, sobretudo em
intervenções que implicam detenções ou o contacto com prevaricadores.