Equipa de enfermagem da ARRISCA apresenta escusa de responsabilidade

Hoje 11:04 — Ana Carvalho Melo

A equipa de enfermagem da ARRISCA - Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores apresentou uma escusa de responsabilidade.A situação foi dada a conhecer pela Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros (SRRAAOE), através do presidente do Conselho Diretivo Regional, enfermeiro Pedro Soares, que manifesta “profunda preocupação” com a situação.“Quando a totalidade de uma equipa de enfermagem apresenta uma escusa de responsabilidade é um sinal de que existe um problema que não pode ser ignorado”, afirma Pedro Soares, citado em nota enviada à comunicação social.Para o presidente do Conselho Diretivo Regional, “a escusa de responsabilidade é um instrumento formal, usado quando um enfermeiro entende que as condições de trabalho podem comprometer a segurança e qualidade dos cuidados que presta. É um sintoma de que existe sofrimento ético. Não é um afastamento do seu dever, muito pelo contrário, é um alerta para problemas que têm de ser enfrentados e resolvidos. Quando este alerta é subscrito por toda a equipa, a questão não é sequer discutir se deve ser valorizado, é, sim, perceber como se chegou a esse ponto e o que tem de ser corrigido para repor condições de funcionamento compatíveis com os cuidados a que todos têm direito.”Neste sentido, considera que se está perante uma situação que exige uma resposta célere, responsável e eficaz, uma vez que “não só está em causa a segurança dos profissionais de saúde, mas também, de forma indissociável, a qualidade e a continuidade dos cuidados prestados aos utentes”.“O que está a acontecer não pode ser relativizado. Os enfermeiros têm limites, a segurança dos cuidados tem limites, e ignorar isto não protege os utentes, não protege os profissionais e não protege as instituições, apenas prolonga situações que têm de ser corrigidas.”, alerta.Considera ainda que “diminuir a entrega da metadona apenas em dias de semana, ficando os utentes sem acompanhamento ao fim de semana, não se coaduna com as necessidades atuais desta população, em São Miguel”.“Diminuímos os dias de cuidados quando há um aumento destes utentes, para além de que a posse antecipada e o armazenamento de substâncias psicotrópicas por parte dos utentes aumentam a vulnerabilidade a eventos adversos, nomeadamente o potencial aumento na incidência de overdoses por administração indevida, ou mesmo o possível incremento de atos ilícitos associados ao manuseamento e armazenamento destas substâncias fora de um ambiente controlado. Outras questões, como as que já denunciámos publicamente, nomeadamente a falta de condições nas unidades móveis e uma equipa de enfermagem reduzida, são questões que n ão podemos deixar passar”, afirma.Para a SRRAAOE, uma das soluções para mitigar este problema da entrega da metadona passa pela atribuição da responsabilidade da organização e distribuição do medicamento à Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, assegurando que este processo seja devidamente integrado e supervisionado pelo Sistema Regional de Saúde.“Se calhar, está na altura de repensarmos a distribuição da metadona em São Miguel, devendo, em nosso ver, e à semelhança do que acontece nas outras ilhas, passar a ser esta organização e distribuição uma obrigação do Sistema Regional de Saúde e entregue à Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, devendo ser aproveitada a experiência da equipa de enfermagem atual”, afirma o presidente da Ordem dos Enfermeiros dos Açores.E conclui reafirmando a total disponibilidade da SRRAAOE para colaborar ativamente na identificação de soluções estruturais para este problema institucional. “Mais do que uma posição de preocupação, trata-se de um apelo firme à ação: é imperativo garantir condições de trabalho dignas, seguras e adequadas, assegurar a proteção efetiva dos profissionais de saúde e salvaguardar a qualidade dos cuidados prestados à população”, diz.Questionado pelo Açoriano Oriental, fonte da Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social afirmou que a tutela “encontra-se a analisar as condições necessárias para que, tal como acontece nas outras ilhas, o Serviço Regional de Saúde assuma a responsabilidade da distribuição da metadona”.