Equilíbrio orçamental dos Açores não foi cumprido em 2021
29 de mar. de 2023, 14:51
— Lusa/AO Online
De acordo com um parecer
do CESA, enviado à agência Lusa, em 2021, “embora a região tenha
beneficiado não só da recuperação da sua economia, mas também de um
incremento em valor absoluto de transferências” ao abrigo do previsto na
Lei de Finanças das Regiões Autónomas, verificou-se que o desempenho
orçamental “acabou por ficar sujeito ao impacto mais significativo das
medidas de resposta à crise pandémica".“A
receita efetiva ficou aquém da despesa efetiva fazendo com que a regra
do equilíbrio orçamental consagrada na Lei de Enquadramento do Orçamento
da Região Autónoma dos Açores, não fosse cumprida”, referem os
parceiros sociais, liderados por Gualter Furtado, que foi secretário
regional das Finanças num governo liderado pelo PSD/Açores. O
CESA aponta que o saldo global ou efetivo “foi negativo no orçamento
revisto e na execução”, embora “tenha espelhado uma melhoria de 154,2
milhões de euros, comparativamente a 2020, uma vez que o aumento da
receita efetiva foi superior ao aumento da despesa efetiva”.Os
parceiros sociais referem que “grande parte da redução do défice
orçamental registada em 2021 resultou do adiantamento de verbas
recebidas ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.Estas
verbas do PRR, permitiram “uma melhoria da posição orçamental em
contabilidade orçamental pública", mas, "ainda assim, o resultado ficou
penalizado pelo impacto da despesa associada ao combate e mitigação dos
efeitos da pandemia mundial, nomeadamente no financiamento de medidas
excecionais de apoio às famílias e empresas”, sustenta o CESA no seu
parecer.De acordo com o órgão consultivo,
em 2021 o saldo primário foi negativo em 52,5 milhões de euros, o que,
“apesar de assinalar uma melhoria face a 2020, de 148,1 milhões de
euros, continua a mostrar que o setor público administrativo regional
mantém necessidades de financiamento” e que “não está a gerar os
recursos necessários para satisfazer o serviço da dívida”.No
documento do CESA, verifica-se que a dívida global dos Açores “voltou a
registar em 2021 um agravamento, em pelo menos, mais 146,9 milhões de
euros (5,9%), totalizando 2.636,3 milhões de euros".A sua estrutura "continuou, em 2021, a exibir um acréscimo do peso da dívida financeira em prol da dívida não financeira”.“Já
as responsabilidades contingentes totalizaram 1.806 milhões de euros,
mostrando um incremento de 52 milhões de euros relativamente ao período
homólogo, que resulta sobretudo das responsabilidades assumidas perante
entidades públicas fora do perímetro orçamental, das quais se destacam
as garantias prestadas às empresas do grupo SATA, objeto de um processo
de reestruturação”, afirma o CESA.Num ano
que o défice em contabilidade nacional se “fixou em 8,7% do Produto
Interno Bruto (PIB) da região, este valor "traduz uma redução de 0,3
pontos percentuais face ao valor de 2020". “Um
resultado que, embora beneficiando da recuperação da economia regional
em 2021, representa ainda um défice orçamental duas vezes superior ao
verificado em 2019 (1,7% do PIB)”, ressalva o CESA.Segundo
o CESA, o “agravamento do endividamento financeiro da região acentuou a
exposição aos riscos de refinanciamento da dívida”, sugerindo-se
“garantir, no médio prazo, uma trajetória de descida da dívida pública,
com a adoção de uma estratégia que promova uma distribuição
intertemporal mais equitativa das necessidades de financiamento”.O
CESA manifesta preocupação com a “sucessiva quebra do peso do
investimento na estrutura da despesa” dos Açores, que “poderá vir a
comprometer a resposta a alguns investimentos em áreas fundamentais como
a saúde, a habitação, e ao desafio imposto pelas alterações climáticas,
entre outros”.O órgão consultivo conclui
ainda que houve, em 2021, uma ultrapassagem do limite de contração de
dívida fundada fixado pela Assembleia Legislativa dos Açores”, sendo que
a “autorização para a realização de operações ativas excedeu o limite
legal”.