Equacionada queixa da cadeia de Ponta Delgada ao Tribunal dos Direitos Humanos
8 de nov. de 2024, 09:30
— Nuno Martins Neves
O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional
equaciona apresentar uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos
(TEDH), devido à situação do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada
(EPPD), revelou o seu presidente.“Temos de encontrar soluções para a
cadeia e para a camarata, que é desumana. Temos feito pressão em todo o
lado, Ministério da Justiça, Governo Regional, o último caso poderá
passar por uma queixa para o TEDH”, afirmou Frederico Morais, à margem
do debate promovido pela Associação Seniores de São Miguel, ontem, no
foyer do Coliseu Micaelense. Perante uma plateia onde estava
procuradores da República, guardas prisionais e técnicos de reinserção
social - mas ninguém do poder político - a discussão centrou-se no
estado da cadeia, a sua falta de segurança e dignidade dos reclusos.Segundo
dados do presidente do sindicato, um dos convidados no debate, estão
neste momento cerca 173 presos na cadeia de São Miguel, cuja lotação
máxima é de apenas 141. Na referida camarata, são perto de 47 pessoas
“num armazém transformado em cela”, na ala sul da cadeia, virada para o
mar. E o perfil da população reclusa em São Miguel tem idade entre 18 e
35 anos, com a maior parte sem o 9.º ano e alguns sem saber ler nem
escrever.O advogado Elias Pereira deixou o repto ao poder político
regional que, perante o facto da obra do novo estabelecimento prisional
já estar em andamento, é necessário intervir rapidamente no edifício
atual. “Devemos lançar obras urgentes, se for necessário com o erário
público regional, do erário municipal, para melhorar a segurança dos
reclusos”.O advogado também abordou a inexistência de um Centro
Tutelar Educativo nos Açores:“Temos meninos que continuam a sair dos
Açores, do Nordeste, por exemplo, para serem internados na Covilhã,
perante o silêncio do Governo Regional, da Assembleia dos Açores, dos
deputados da República e dos deputados europeus. É frágil para estas
crianças. E a questão da reinserção social também se coloca: como pensam
que será feita? Podíamos fazer isso, nós, Açores, já que a República
não faz”.A procuradora do MP, Conceição Lopes, assinalou que é uma
situação “preocupante” e que tem de ter a atenção devida. “É urgente
alterar as condições do EPPD e todos nós devemos ser convocados para
resolver este problema. Épor isso que estou aqui também”.Um guarda
prisional do EPPD partilhou a realidade que conhece:“diariamente, são
arremessados telemóveis e droga para o recreio da cadeia. Diariamente.
As redes continuam como estão. Ese entra lá uma arma?De quem é a
responsabilidade?”.