Enviado da ONU alerta para risco de conflito e maior pobreza no Afeganistão
28 de set. de 2022, 13:10
— Lusa/AO Online
O
representante especial adjunto do secretário-geral para o Afeganistão,
Markus Potzel, disse que a repressão imposta às mulheres
reflete uma indiferença perante os direitos de mais de 50% da população e
um eventual isolamento internacional.Perante
o Conselho de Segurança da ONU, Potzel disse que algumas das
“conquistas reivindicadas e reconhecidas” pelo regime talibã estão
também a desvanecer-se, apontando para um aumento constante de
confrontos armados, atividades criminosas e ataques terroristas de alto
perfil.O representante destacou o grupo
fundamentalista Estado Islâmico, que nos últimos meses assassinou
figuras próximas do regime, atacou embaixadas estrangeiras, disparou
foguetes contra países vizinhos, a partir do Afeganistão, mantendo uma
campanha de longa data contra os muçulmanos xiitas e minorias étnicas.Potzel
disse que a perspetiva económica também “continua ténue”, com a
situação no que toca à segurança alimentar a piorar, numa altura em que
se aproxima o inverno.A ONU pediu apoio
humanitário no valor de 4,4 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de
euros), mas recebeu apenas 1,9 mil milhões (1,99 mil milhões de euros), o
que “é alarmante”, disse Potzel.O alemão
pediu aos doadores que forneçam mais 768 milhões de dólares (804 milhões
de euros) para apoiar os preparativos para o inverno.No
final de agosto, também numa reunião do Conselho de Segurança, o
subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Martin
Griffiths, disse que cerca de 24 milhões de pessoas, mais da metade da
população do Afeganistão, precisam de assistência humanitária.Markus
Potzel admitiu alguns sinais positivos no Afeganistão, nos últimos
meses, mas sublinhou que são poucos “e superados pelos negativos”, em
particular, “a proibição contínua do ensino secundário para mulheres,
única no mundo”.Potzel disse que, em
discussões com responsáveis do regime talibã, os líderes afirmaram que a
decisão de impor “crescentes restrições aos direitos das mulheres” é
apoiada “pelos radicais (…) mas questionada pela maioria do resto do
movimento, a quem falta capacidade ou vontade de mudar de rumo”.O
resultado, disse ele, é que mulheres e meninas são obrigadas a ficar em
casas, privadas de direitos fundamentais. “Ao Afeganistão é negado o
benefício das contribuições significativas das mulheres”, acrescentou.Potzel
disse temer que a política talibã resulte em “maior fragmentação,
isolamento, pobreza e conflitos internos”, o que poderá originar “uma
potencial migração em massa e um ambiente doméstico propício a
organizações terroristas”.