‘Entre Pedra e Bruma’ cruza Braga e Ponta Delgada

6 de mar. de 2026, 15:30 — Susete Rodrigues

O Teatro Ribeiragrandense acolhe, amanhã, pelas 19h00, o espetáculo de dança “Entre Pedra e Bruma”, uma criação artística do Motus Dance Project, da Ent’Artes - Escola de Dança, de Braga, e o Estúdio 13, de Ponta Delgada.Este espetáculo encerrou Braga Capital Portuguesa da Cultura em 2025, e ao mesmo tempo assinalou a passagem de testemunho a Ponta Delgada como Capital Portuguesa da Cultura este ano.Maria João Gouveia, do Estúdio 13, disse que o convite para este trabalho surgiu do Motus, e nesta “forma de intercâmbio, podermos ser estas pontes entre instituições e escolas”, acrescentando que durante o “processo da criação deste intercâmbio, apareceu o convite para que o resultado final fosse um trabalho a apresentar no encerramento da capital portuguesa de Braga, com a intenção de vir também a Ponta Delgada nesse que é o nosso ano da capital portuguesa da cultura”. Enquanto Estúdio 13, “fizemos a seleção de algumas das nossas alunas para que estivessem presentes neste projeto e fizemos este acompanhamento”. Assim, neste espetáculo que conta a lenda das Sete Cidades (São Miguel) e a lenda de São Longuinho (Braga), marcam presença “quatro alunas, da turma mais avançada do Contemporâneo, que estiveram durante duas semanas em Braga a trabalhar com os alunos da Ent’Artes , que depois voltaram para o espetáculo”. Nesse entretanto, as alunas do Estúdio 13 trabalharam em Ponta Delgada, acompanhadas pela professora Sara Lopes, que fez “um excelente trabalho com elas”.Maria João Gouveia enaltece o trabalho e a capacidade das suas alunas, porque “foram praticamente dez dias intensos, com outros projetos à mistura, com aulas e com toda uma vida adjacente e elas conseguiram manter sempre o foco, a disciplina e o trabalho”.Diz ainda que as alunas foram responsáveis e “foi um grande ato de maturidade. No fundo é isso que nós também queremos com o trabalho que fazemos com os nossos alunos”. Foi também “um desafio que elas superaram, foram incríveis e foi uma experiência maravilhosa para elas”.Ana Sofia Leite foi a coreógrafa deste espetáculo que, ao receber o convite para esta criação, pensou que seria “bom que tivesse aspetos culturais de ambas as cidades. Então mergulhei em pesquisas e percebi que ambas têm muitas lendas e que são impactantes na cultura das cidades. Em Braga, encontrei uma história de amor que não correu muito bem, a de São Longuinho. Como já tinha visitado Ponta Delgada, sabia que existia a lenda das Sete Cidades que também é uma história de amor que não acaba muito bem, e pensei que devia fazer um cruzamento destas duas lendas, que trazem muitos aspetos das tradições de ambas as cidades”, afirmou. Por outro lado, Ana Sofia Leite consultou os intérpretes e “perguntei-lhes um pouco sobre aquilo que conheciam das cidades, se conheciam estas lendas”.Ana Sofia Leite quis um espetáculo onde houvesse bastante movimento, porque “eles são muito jovens e rapidamente se adaptam a este estilo, e ter uma dramaturgia em que, quase que contamos uma história que começa em Braga e que vai, aos poucos, se misturando com a de Ponta Delgada”.Portanto, temos uma história que “tem um fim imaginário, que não termina. É como um mistério, porque ninguém sabe o que é que aconteceu, nem a um, nem a outro, nas lendas”, e também “queria que  se traduzisse esta passagem de testemunho de uma cidade para a outra, como se de uma viagem se tratasse”.Para Maria João Gouveia foi “muito inteligente da parte da Ana Sofia Leite – que conheço há muitos anos e com quem já tive a oportunidade de trabalhar – pegar nessas nossas lendas, nessa parte mais tradicional, não tão contemporânea, e passá-la para os jovens, para as gerações futuras, para o ‘Lugar do Amanhã’”, finalizou.