Entre dança e convívio, noite de Ponta Delgada vai retomando a normalidade
Covid-19
3 de ago. de 2020, 11:18
— Lusa/AO Online
De há seis anos para cá, o primeiro sábado de
agosto é o dia do ano que junta mais gente no centro de Ponta Delgada,
devido à organização da Noite Branca, um evento com concertos em vários
pontos da cidade e que concentra milhares de pessoas nas ruas da cidade.
Em 2020, o ano onde tudo o que era
habitual foi posto à prova, a Noite Branca foi cancelada e, apesar de as
ruas não estarem entupidas de gente, a normalidade impera em alguns dos
pontos mais concorridos do centro. É o caso do bar Tã Gente, que tem as mesas da esplanada todas preenchidas, não existindo espaço para sentar."Tem
aqui algumas pessoas, mas estamos todos separados. As mesas estão
separadas pelo menos dois metros e toda a gente vai ao estabelecimento
com máscara e desinfeta as mãos. Acho que é minimamente seguro", diz à
agência Lusa Catarina Ritter, estudante de 24 anos, sentada numa mesa
com um grupo de cinco amigos. Numa mesa
mais pequena, com apenas duas pessoas, Maria João Rodrigues, 22 anos,
confessa que esperava encontrar "mais gente", recordando as "multidões
de sábado à noite" na baixa da cidade. "As
pessoas não devem relaxar em relação ao vírus, mas acho que temos de
aprender a viver com isso. As pessoas estavam com medo no início, mas as
medidas foram impostas e a partir do momento que as pessoas seguem as
medidas, à partida tem de dar certo", acrescenta. O
gerente do espaço, Mário Franco, mostra-se satisfeito pela noite
"composta", referindo que "não é possível fazer comparações com o ano
passado", mas salientando que o negócio tem vindo a "melhorar semana a
semana". O empresário explica que no seu
estabelecimento deixaram de servir ao balcão para evitar a concentração
de pessoas. Existe "fiscalização habitual" por parte da Polícia de
Segurança Pública, sempre de uma "maneira pedagógica, conta."Preferimos agora ter menos clientes a eventualmente daqui a um mês sermos obrigados a fechar", refere. Naquele
quarteirão, onde além do Tã Gente estão o Cantinho do Aljube e A Tasca,
concentram-se várias pessoas, naquele que é um dos pontos mais
concorridos da noite.A circular entre os
espaços está Júlia Dâmaso, 23 anos, que se diz sentir "segura quanto
baste", apesar de reconhecer que muita gente não está a cumprir as
normas de segurança como o distanciamento social ou o uso de máscara."Em
termos de gente, acho que está normal. As pessoas com segurança
claramente não estão, mas o risco envolvido também não é muito alto",
diz à Lusa. Numas ruas mais ao lado, no
bar Raiz, vários clientes dançam ao som de canções de Scissor Sisters ou
Abba, entre outros. À porta, João Nuno Gonçalo, 24 anos, salienta que
as ruas da cidade "têm gente, mas não demasiada gente", defendendo que
as "restrições devem ser ajustadas a cada realidade" e conforme os casos
ativos de covid-19 de cada território. "As
pessoas estão com a segurança necessária para uma região que tem poucos
casos de covid-19", resume o estudante de Medicina, numa altura em que
São Miguel regista os 16 casos ativos na região. Quando
fala com a Lusa, o jovem ainda equaciona a entrada no Raiz, palco de
uma festa nesta noite. Com cerca de 30 pessoas dentro do bar, circula-se
livremente dentro deste amplo espaço, apesar de quase toda a gente
preferir concentrar-se junto à mesa de som. Nos
Açores, ao contrário da generalidade do território português, as
discotecas têm permissão para funcionar, desde que cumpridas as normas
de segurança no interior do espaço.António
Velho, gerente da discoteca Karma Privé, que reabriu em 05 de junho,
diz que os clientes têm "cumprido as regras" e salienta que atualmente a
lotação "é muito menor", estando restrita a "dois terços da capacidade
da casa". "Não é fácil controlar, mas as
pessoas têm cumprido as regras e conseguimos controlar a lotação do
espaço", refere o empresário. No interior
da discoteca, além do distanciamento físico entre pessoas, os seguranças
espalhados pelo espaço procuram alertar cada cliente para a necessidade
do uso de máscara. Nesta noite, alguns
estabelecimentos procuram realizar festas evocativas da Noite Branca.
Numa grande esplanada, encontra-se uma grande concentração de pessoas,
sem qualquer tipo de distanciamento social e sem o uso de máscara. Sentado
numa das mesas da festa, Brian Tavares, 24 anos, diz que deveria "haver
mais fiscalização" para evitar grandes aglomerados. "Quando
saí hoje, não estava à espera de encontrar tanta gente. Acho que está
composto demais e aqui neste espaço as pessoas não estão a tomar a
medidas de segurança", declara o técnico de contabilidade. O
jovem acaba por confessar que pretende sair em breve da esplanada por
não se sentir confortável com "tanta gente" - gente que procura retomar a
normalidade em tempos de pandemia.