“Entramos em 2023 obrigados a evitar que seja pior do que 2022”
2 de jan. de 2023, 12:48
— Lusa/AO Online
Na
tradicional mensagem de Ano Novo aos portugueses, o Presidente da
República afirmou que “2023 pode vir a ser, no mundo, na Europa e em
Portugal, o ano mais importante até 2026, senão mesmo até 2030”.“Um
ano depois, sabemos que, em Portugal, apesar daquilo em que estivemos
melhor do que muita Europa, 2022 não foi o ano da viragem esperada e
entramos em 2023 obrigados a evitar que seja pior do que 2022”, alertou.Se
“2022 parecia ir ser um ano de desconfinamento, de viragem e de
esperança”, o Presidente da República constatou que um ano depois “a
pandemia [de covid-19] não desapareceu nalgumas áreas do globo” e “a
guerra ultrapassou a diplomacia, sem a certeza quanto ao tempo e aos
efeitos”.“Um ano depois, sabemos que
Portugal aguentou melhor do que alguma Europa no crescimento, no
turismo, no investimento estrangeiro, na autonomia energética e no
défice do Orçamento, mas sofreu e sofre na subida dos preços, no corte
dos rendimentos, no corte dos salários reais, nos juros da habitação, no
agravamento da pobreza e nas desigualdades sociais”, enfatizou.Na
mensagem, gravada na Embaixada de Portugal em Brasília, já que Marcelo
Rebelo de Sousa viajou até ao Brasil para a tomada de posse do
Presidente Lula da Silva, o chefe de Estado recordou que há um ano
Portugal estava em vésperas de eleições legislativas antecipadas.“Um
ano depois, sabemos que os portugueses escolheram dar maioria absoluta
ao partido que governara nos seis anos anteriores, passando a não
depender, portanto, dos antigos apoios partidários, nem de um
entendimento com o maior partido da oposição”, observou.Sobre
a expectativa de que os fundos europeus”, somados ao turismo e ao
investimento estrangeiro, já em alta, iriam fazer de 2022 o ano da
viragem”, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que um ano volvido se sabe que
a Europa “se viu forçada a ocupar-se mais tempo com a guerra [na
Ucrânia] e com a reação à dependência, na energia e na inflação, do que
com os fundos europeus – como usá-los e controlá-los – com o crescimento
das economias, com as suas reformas internas, com o seu papel global no
mundo”.“Um ano depois, sabemos que o
crescimento no mundo não existiu ou foi insignificante, o comércio
internacional não se normalizou, a subida dos preços disparou, a pobreza
e as desigualdades da guerra somaram-se à pobreza e às desigualdades da
pandemia”, acrescentou ainda.