Entidade que gere fundos de coesão em Portugal não prevê “incapacidade” por corte da UE
2 de abr. de 2019, 12:34
— Lusa/AO Online
“Qualquer corte
reduz capacidade de intervenção, mas não põe nada em causa, a redução
não é suficiente para esse efeito”, disse à agência Lusa o presidente da
Autoridade de Gestão do Programa Operacional Temático Competitividade e
Internacionalização (Compete 2020), Jaime Andrez.Falando
em Bruxelas à margem de uma cerimónia realizada na Comissão Europeia
para o lançamento de um novo pacote de apoio em fundos da política de
coesão – no qual Portugal é um dos beneficiários –, o responsável
admitiu que a entidade terá “de se ajustar” caso se concretize o corte
previsto de 1,6 mil milhões de euros nas verbas destinadas ao país no
período 2021-2027.“Já tivemos de nos
ajustar para o orçamento que recebemos no atual quadro comunitário de
apoio e vamos ajustar-nos ao próximo”, acrescentou.O
Compete 2020 gere em Portugal o Fundo Social Europeu (FSE), o Fundo
Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e o Fundo de Coesão.“Não antevejo situações que possam criar incapacidades de investimento nessas áreas”, adiantou Jaime Andrez à Lusa.Portugal
deverá receber menos 1,6 mil milhões de euros de fundos da política de
coesão no período 2021-2027, face ao atual e a preços de 2018, segundo
um relatório publicado na semana passada pelo Tribunal de Contas
Europeu.Em causa está uma proposta da
Comissão Europeia apresentada em maio de 2018 e que ainda terá de ser
aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE.Hoje,
em Bruxelas, a Comissão Europeia anunciou que vai atribuir 119 milhões
de euros a Portugal para renovação da linha ferroviária do norte, no
troço Ovar-Gaia, verba que provém dos fundos da política de coesão.De
acordo com Jaime Andrez, este era “um troço praticamente obsoleto”,
pelo que “um dos grandes objetivos […] é assegurar a eletrificação, a
sinalização automática das passagens de nível para não interrupção da
passagem dos vagões e, em particular, a introdução de sistemas
eletrónicos de gestão de tráfego, que se pretende ter em toda a linha
transeuropeia”.As obras, realizadas pela
Infraestruturas de Portugal, arrancaram em meados de 2014 e têm
conclusão prevista em dezembro de 2022.Ao todo, o investimento neste troço é de quase 160 milhões de euros, tendo uma taxa de apoio comunitário de 85%.“Esta
linha do norte é uma linha de grande movimento de passageiros, mas
também de mercadorias e este investimento vai encurtar o tempo e
permitir a utilização de composições de vagões até 750 metros de
composição, o que em Portugal faltava assegurar”, observou Jaime Andrez.Segundo
a informação hoje divulgada pelo executivo comunitário, estes fundos da
União Europeia (UE) vão possibilitar uma modernização do troço
Ovar-Gaia da linha do norte, permitindo que “os passageiros beneficiem
de um tempo de viagem mais curto, maior conforto e maior segurança neste
eixo”.O pacote de apoios hoje divulgado,
no âmbito da política de coesão, abrange 25 grandes projetos de
infraestruturas em 10 Estados-membros e um total de quatro mil milhões
de euros.Além de Portugal, os países
beneficiários são a Bulgária, a República Checa, a Alemanha, a Grécia, a
Hungria, a Itália, a Malta, a Polónia e a Roménia.