Entidade das Contas alerta que não consegue cumprir prazos legais por falta de meios
15 de jan. de 2025, 12:07
— Lusa/AO Online
Com
a “falta extrema de meios humanos e técnicos que nós temos, corremos
sérios riscos de prescrição de processos. Temos andado a lutar para
conseguir não declarar a prescrição de qualquer processo, mas o volume
de processo pendentes é muito e a dificuldade de recrutamento é imensa”,
advertiu Carla Cardador durante uma audição na comissão eventual para o
acompanhamento integrado da execução e monitorização da Agenda
Anticorrupção.A presidente da Entidade das
Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) frisou que entidade está a
trabalhar para “tentar evitar ao máximo” prescrições, mas defendeu que
precisa de ser dotada de meios técnicos, apresentando um conjunto de
dados que mostram que a elaboração de decisões é sempre feita no limite
dos prazos legais. Assim, só em dezembro
de 2024 é que a entidade proferiu 12 decisões sancionatórias
relativamente às eleições legislativas de 2019, cujo prazo de prescrição
se esgotava em fevereiro de 2025. Atualmente, ainda ainda a elaborar
decisões relativamente a eleições como as autárquicas de 2017, as
regionais dos Açores de 2020 ou as presidenciais de 2021.“Como
se verifica inequivocamente, a ECFP não consegue desenvolver a sua
atividade nos prazos previstos na lei, existindo uma grande dilação
entre a apresentação de contas e a decisão final sancionatória, caso
existam irregularidades no processo”, referiu a presidente da ECFP.Entre
os fatores que identificou que dificultam a atividade da entidade,
Carla Cardador destacou em particular a “falta extrema de meios humanos e
técnicos”, frisando que, atualmente, trabalham na ECFP apenas 14
colaboradores, “entre os quais quatro técnicos superiores e cinco
prestadores de serviços”, para além da direção (composta pela presidente
e dois vogais).A esta falta de meios
humanos, Carla Cardador referiu ainda que a ECFP tem dificuldade em
recrutar mais membros, salientando que, em 2024, abriu sete concursos
para nove técnicos superiores, “tendo sido apenas possível recrutar um
colaborador”, porque a remuneração proposta não é atrativa e a maioria
dos que a aceitam “não possuem qualquer experiência em matéria de
auditoria nem em matéria de contraordenações”.“Portanto,
o que se verifica é que posições remuneratórias tão reduzidas impedem a
admissão do número de técnicos superiores previstos no mapa de pessoal e
isso causa uma grave perturbação na atividade da Entidade”, disse. Questionada
pelo deputado do Chega Pedro Correia se essa falta de meios pode afetar
a capacidade fiscalizadora da ECFP nas eleições autárquicas deste ano,
Carla Cardador admitiu que sim. “São
eleições que nos dão muito trabalho a nível de número de candidaturas e,
por isso, é importantíssimo conseguirmos obter um reforço do quadro de
meios humanos e técnicos”, afirmou. Já
interrogada pelo deputado do PSD Almiro Moreira se o facto de a ECFP
poder recorrer a serviços de auditoria externos não permite mitigar essa
falta de meios, Carla Cardador respondeu que essa “tem sido a única
forma” entidade tem arranjado para conseguir cumprir os prazos.“Nós
atualmente só temos auditores enquanto prestadores de serviços. Não
conseguimos arranjar técnicos, porque só temos orçamento para a primeira
e segunda posição remuneratória, que são pessoas sem experiência
nenhuma”, referiu. Carla Cardador defendeu
que, para “o regular e eficaz funcionamento da entidade”, é necessário
alterar um decreto-lei relativo ao funcionamento da secretaria e dos
serviços de apoio do Tribunal Constitucional para reforçar o orçamento
da ECFP.“É necessário ter um reforço dos
valores com vista a conseguir aliciar técnicos qualificados e reforçar
os meios humanos na área da propaganda política, para robustecer a
monitorização. (…) Sem estas premissas, torna-se impossível assegurar o
regular funcionamento da entidade e evitar a ocorrência da prescrição de
alguns processos”, alertou.