Entender efeitos dos nutrientes pode desvendar mais sobre o cérebro

18 de nov. de 2013, 10:19 — Lusa/AO online

O “novo método”, pulicado na revista científica Nature Methods, estabelece uma forma de controlar a composição nutricional da comida ingerida pela mosca da fruta, uma investigação conjunta da Fundação Champalimaud (Portugal), da University College London, da King’s Collegge London, da University of Michigan e do Max Planck Institute. Em declarações à agência Lusa, o cientista Carlos Ribeiro explicou que o estudo vem permitir perceber como é que as alterações nos níveis de determinados nutrientes na dieta da mosca da fruta podem resultar em alterações no cérebro e no comportamento deste organismo. “A comida que consumimos afeta todos os aspetos da nossa vida, incluindo o envelhecimento, a fertilidade, a esperança de vida, o estado mental e o comportamento”, segundo o especialista, que indica que este novo método permite estudar cada nutriente, de forma isolada, e como cada um afeta os vários aspetos da vida. Ao nível molecular, a composição da comida é de uma complexidade que torna difícil compreender quais são os nutrientes capazes de afetar o bem-estar. “Se queremos saber porque nos sentimos mais leves quando comemos um vegetal do que um bife, é muito difícil saber o que no bife faz a diferença”, exemplificou. Os investigadores criaram uma comida artificial, que tem a mesma qualidade do que a comida normal para as moscas. Sendo artificial, é possível retirar os componentes desejados para saber como influenciam o comportamento. Esta comida artificial permite ainda que os vários investigadores internacionais que estudam tendo modelo a mosca da fruta possam usar a mesma formulação, em vez de dietas diferentes. Daí que se tenham juntado várias equipas de investigação para desenvolver o método, que poderá levar a uma melhor compreensão do cérebro, através do estudo do efeito de cada nutriente. “Analisámos o efeito que essa dieta tem no comportamento. Quando se tiram as proteínas, o comportamento muda completamente, por exemplo”, indicou Carlos Ribeiro, adiantando que outras equipas de investigação estão a estudar o efeito dos nutrientes na longevidade ou nas células estaminais.