Os Engengroaldenga, formado pelos marienses, Rui Resendes e Alexandre
Fontes, apresentam amanhã, o seu álbum de estreia ‘Nalgum Tempo’ na
Blackbox do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira
Grande, pelas 18h00.‘Nalgum Tempo’ é o primeiro trabalho
discográfico do projeto que conta com 10 temas originais, nos quais
trazem sonoridades alternativas da viola da terra. Baseia-se numa
“construção com a viola da terra, numa demonstração do contemporâneo e
versatilidade que a viola da terra poderá ter”, como disse Alexandre
Fontes. Em entrevista ao jornal Açoriano Oriental, o músico explicou
que ‘Nalgum Tempo’ vem de uma expressão que se utiliza em Santa Maria
quando os antigos querem retratar o passado e “utilizamos essa expressão
como um bom nome para representar o nosso trabalho que estamos a tentar
implementar com a viola da terra e com o nosso projeto
Engengroaldenga”.A história dos Engengroaldenga começou em 2018,
curiosamente na ilha de São Miguel, pese embora os dois serem naturais
de Santa Maria, mas na altura o “Rui Resendes estava a viver em São
Miguel e eu, por motivos profissionais, também tive que mudar-me para
São Miguel”.No início o objetivo do projeto “era fazer uma
reconstrução de músicas antigas que conhecíamos do cancioneiro açoriano,
desde de Santa Maria até às Flores - que foi a recolha que fizemos – e
depois dar o nosso ‘cunho’ pessoal a certas músicas, usando a viola da
terra”. Entretanto, o projeto foi evoluindo, foram sendo incluídas
músicas originais nas “nossas apresentações e no ano passado, quando
decidimos que iríamos fazer um trabalho discográfico, ficou decidido que
tinha de ser com originais”.A viola da terra está na vida de
Alexandre Fontes desde que nasceu, porque o “meu pai era tocador e os
avós também”. A partir dos 12 anos “comecei a aprender guitarra
elétrica, violão acústico e também viola da terra. A minha avó
ensinou-me umas modas tradicionais de Santa Maria e entrei no Grupo
Folclórico de Santo Espírito para tocar viola”. Na altura, “o Rui
estava lá a tocar viola da terra”, disse para explicar que já havia
tocado antes com o Rui Resendes em outros projetos: “tive uma banda de
originais chamada ‘Dyphusão’ e o Rui tinha a ‘Nova Geração’ e fazíamos
muitas demos, tocávamos muito com eles e eles connosco, e ficou sempre
na ideia de fazermos algo com a viola da terra”. Por sua vez, Rui
Resendes, começou cedo na música. Aos nove anos começou a tocar na
filarmónica local”.Os Engengroaldenga já atuaram em vários palcos,
nomeadamente nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, Pico e Terceira; e
nos festivais Maia Folk, Maré de Agosto, I Festival de Violas da Terra,
Cordas World Music Festival, na residência artística Anticiclone, entre
outros.