Enfermeiros querem que Governo dos Açores acabe com programa "Estagiar L"
4 de set. de 2020, 08:49
— Lusa/AO Online
Numa carta aberta enviada ao
governante, e à qual a agência Lusa teve acesso, a Ordem dos
Enfermeiros nos Açores, presidida por Pedro Soares, alerta Vasco
Cordeiro para "o uso contínuo e abusivo do programa ‘Estagiar L’",
destinado a jovens recém-licenciados.Sobre
o programa que visa promover a inserção no mundo do trabalho de jovens
recém-licenciados, a Ordem defende que os “enfermeiros não necessitam de
realizar um estágio profissional para complementar e aperfeiçoar as
suas competências – um dos objetivos do programa – pois aquelas são
reconhecidas pela atribuição do seu Título Profissional pela Ordem dos
Enfermeiros"."A formação em enfermagem
envolve uma necessária componente prática em ambiente hospitalar,
composta por múltiplos estágios curriculares (obrigatórios) ao longo da
licenciatura", frisa ainda.Para a Ordem,
aquele programa serve apenas para "permitir às instituições prestadoras
de cuidados de saúde a contratação de enfermeiros (…) mediante o
pagamento de um salário muito mais baixo do que seria legalmente
devido".Na carta, a Ordem relembra que os
estagiários do programa ‘Estagiar L’ têm “uma compensação pecuniária
mensal no valor ilíquido de 720,00 euros ao passo que um enfermeiro,
independentemente de ser contratado ao abrigo de um contrato individual
de trabalho ou ao abrigo de um contrato de trabalho em funções públicas,
recebe, no seu início de carreira, uma remuneração no valor de 1.205,08
euros".“Não podemos aceitar o ‘Estagiar L’ para enfermeiros, somos a única região que mantém esse programa”, sublinha na missiva.A
Ordem dos Enfermeiros refere ainda que as entidades prestadoras de
cuidados de saúde dos Açores – principalmente as do setor privado e do
setor social – “usam e abusam” deste programa, optando por receber
estagiários em vez de contratar novos enfermeiros, o que obriga os
recém-licenciados a permanecerem nesta situação, “sob pena de não serem
contratados por qualquer instituição”.Na
carta, os enfermeiros alertam ainda Vasco Cordeiro para a necessidade da
"regularização efetiva dos reposicionamentos remuneratórios" destes
profissionais.Nesse sentido, sublinha
também na missiva "as inúmeras denúncias e pedidos de intervenção" que
"tem recebido nos últimos meses”, que colocam em causa a “dignidade da
profissão” e levam mesma a “alguma desmotivação" daqueles profissionais.