Enfermeiros pedem escusa na Associação de Reabilitação dos Açores
Hoje 15:50
— Lusa/AO Online
O
responsável pela Ordem dos Enfermeiros nos Açores, Pedro Soares, citado
na nota, refere que “quando a totalidade de uma equipa de enfermagem
apresenta uma escusa de responsabilidade é um sinal de que existe um
problema que não pode ser ignorado”.A 26
de março, a ARRISCA - que atua na reabilitação e integração de pessoas
com comportamentos aditivos, como álcool, drogas, dependências e
exclusão social - anunciou que era “forçada a implementar” restrições
nas suas respostas em saúde devido à “insuficiência de montantes”
acordados com o Governo Regional.Na nota
de imprensa, a delegação dos Açores da Ordem dos Enfermeiros
considerou que se está “perante uma situação que exige uma resposta
célere, responsável e eficaz”.“Não só está
em causa a segurança dos profissionais de saúde, mas também, de forma
indissociável, a qualidade e a continuidade dos cuidados prestados aos
utentes”, refere o responsável.De acordo
com Pedro Soares, “diminuir a entrega da metadona apenas em dias de
semana, ficando os utentes sem acompanhamento ao fim de semana, não se
coaduna com as necessidades atuais desta população, em São Miguel”.Para
Pedro Soares, uma das soluções para “mitigar este problema da entrega
da metadona passa pela atribuição da responsabilidade da organização e
distribuição do medicamento à Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel,
assegurando que este processo seja devidamente integrado e
supervisionado pelo Sistema Regional de Saúde”.Confrontada pela Lusa, Suzete Frias, da direção da ARRISCA, refere que os
financiamentos da Secretaria Regional da Saúde para 2026 “aumentaram em
20 mil euros, mas não cobram os custos com os aumentos salariais e
inflação”.A direção da instituição viu-se,
assim, “obrigada a reduzir apenas a entrega das tomas observadas
diárias ao sábado e ao domingo”, sendo estas “entregues ao utente para o
fim de semana, mediante a assinatura de um documento de
responsabilidade”.“Antes de a direção
tomar esta decisão de redução, tentámos arranjar um reforço de
financiamento não só com a tutela, mas com outras fontes, para que isto
não acontecesse” – afirma.Suzete Frias
refere que “há várias reivindicações das equipas que a direção não pode
fazer parte porque não tem dinheiro para isso, como é o subsídio de
risco, que não o minimiza mas poderá aliviar o impacto na pessoa”.Entretanto,
a direção da Arrisca refere que os enfermeiros da instituição “recebem
acima do Contrato Coletivo de Trabalho”, o que “dá para compensar”, a
par da isenção de horário, que “representa 25% do ordenado”.