Enfermeiros pedem contratações para Lisboa, onde faltam mais de sete mil profissionais
20 de ago. de 2025, 15:17
— Lusa/AO Online
O
Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) deu uma “Volta a
Lisboa” em automóvel pelos quatro hospitais onde há mais falta de
profissionais: A caravana começou no Hospital Fernando Fonseca, na
Amadora, seguiu para o Hospital S. Francisco Xavier, depois para o
Hospital Santa Maria e terminou no Hospital S. José, onde a presidente
do sindicato fez um balanço da situação.“Só
na região de Lisboa e Vale do Tejo necessitaríamos de mais 7.106
enfermeiros”, disse Isabel Barbosa, baseando-se num estudo do Governo de
2022 que diz já estar desatualizado. Hoje "faltam ainda mais" numa
região onde “trabalham entre 15 a 16 mil enfermeiros no Serviço Nacional
de Saúde”.Segundo o SEF, na altura
estavam em falta 2.721 enfermeiros em cuidados de saúde primário e 4.403
na área hospitalar e os resultados desta carência são visíveis com
camas encerradas em vários hospitais.Isabel
Barbosa lembrou a situação do Hospital de Cascais com 15 camas
encerradas na cirurgia ou o Hospital de Vila Franca de Xira, onde
"faltam mais de 300 enfermeiros, segundo as dotações da Ordem dos
Enfermeiros”.“Estes são apenas alguns
exemplos, mas camas encerradas é um pouco por todas as instituições”,
sublinhou a presidente do sindicato à porta do Hospital de São José, que
tem 16 camas encerradas no serviço de neurocirurgia “há já bastantes
meses” e outras 12 camas na Medicina 1A e 1B."Para atrair
e fixar mais enfermeiros tem que haver a valorização da carreira,
apostar no investimento do Serviço Nacional de Saúde em infraestruturas e
equipamento e é preciso alterar a nossa carreira”, resumiu a presidente
do sindicato.Com equipas reduzidas, os
serviços são assegurados à custa do recurso a horas extraordinárias,
“elevados ritmos de trabalho, centenas de feriados em dívida e
enfermeiros em exaustão e em burnout”, disse Isabel Barbosa,
corroborando a mensagem de um dos cartazes que os sindicalistas levaram
hoje aos quatro hospitais dizendo “Enfermeiros em Exaustão! Exigem +
Contratação + Valorização + SNS”.Os
enfermeiros pedem que sejam feitas mais contratações, que haja uma mais
rápida progressão na carreira e um sistema de avaliação de desempenho
“mais justo”, disse a presidente do SEP, lembrando que já houve uma
melhoria mas não foi suficiente. “Antes eram precisos 10 anos para
progredir na carreira e atualmente são precisos oito”, referiu.O
aumento dos salários é outra das reivindicações, já que no início de
carreira estes profissionais recebem cerca de 1.500 euros brutos e
Isabel Barbosa diz não conhecer "ninguém que já tenha chegado ao topo da
carreira".O SEF entregou este verão um
caderno reivindicativo e vai reunir a 3 de setembro com responsáveis do
Ministério da Saúde, adiantou Isabel Barbosa.