Enfermeiros não querem "guerra de números" para não fragilizar SNS
Greve
9 de nov. de 2020, 12:30
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, Carlos Ramalho disse que os números da adesão à
greve de cinco dias que hoje começou "são muito relativos" pois não se
conseguem apurar porque não é possível formar piquetes de greve como
acontece noutras greves, devido à impossibilidade de circular entre
serviços de saúde, por causa da pandemia de covid-19."Não
podemos formar os piquetes de greve que formávamos em condições normais
pois nao é conveniente circular entre serviços para apurar esses
dados", explica o presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de
Portugal (Sindepor), sublinhando que "muitos enfermeiros vão estar em
greve, mas a trabalhar"."Assegurar
serviços mínimos agora significa assegurar quase serviços máximos
durante períodos de não greve por causa da dotação de enfermeiros, que
cada vez são menos. Normalmente associa-se a greve à não comparência ao
local de trabalho, mas muitos têm de comparecer para assegurar serviços
mínimos. É mais um grito de protesto e um anúncio de descontentamento do
que algo que interfira com o SNS, que já de si está fragilizado e que
nós não queremos fragilizar ainda mais", afirmou.Carlos
Ramalho sublinha que a greve dos enfermeiros decretada pelo Sindepor
para esta semana, "mais do que uma guerra de números, será uma guerra de
razões, de argumentos"."É mais um grito
de protesto e anúncio de descontentaento - pela ausência de negociações e
pela situação dos enfermeiros - do que algo que interfira com o SNS,
que já de si está fragilizado e que nos não queremos fragilizar ainda
mais", acrescentou.Os enfermeiros
iniciaram hoje uma greve de cinco dias, um protesto convocado pelo
Sindepor contra o desgaste e desmotivação destes profissionais.O
Sindepor exige o descongelamento das progressões da carreira, a
atribuição do subsídio de risco para todos os enfermeiros e, sendo "uma
profissão de desgaste rápido", a aposentação aos 57 anos.