Enfermeiros marcam greve para 03 e 04 de novembro
15 de out. de 2021, 15:52
— Lusa/AO Online
Na
base da decisão de avançar com esta greve está a “ausência total de
diálogo por parte do Ministério da Saúde em querer ouvir as
reivindicações” destes profissionais do SNS, adiantou à Lusa o
presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Pedro Costa.Segundo
o dirigente sindical, os enfermeiros portugueses “foram louvados ao
longo” da pandemia de Covid-19, sendo “considerados a peça fundamental
no processo de vacinação”, mas “não são valorizados” na sua carreira.Pedro
Costa considerou ainda que os cerca de 700 milhões de euros para
reforçar o SNS previstos proposta Orçamento do Estado para 2022 “só
serão efetivamente bem empregues se tivermos em cima da mesa” as áreas
para as quais este acréscimo orçamental será afeto.“De
que serve termos hospitais novos se o seu valor humano – os seus
profissionais – estão cansados, estão desmotivados e não vão poder
exercer a suas funções da melhor forma?”, questionou.Em
comunicado, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal
(Sindepor), que também participou na reunião de hoje, adiantou que a
greve foi limitada a dois dias, devido à consciência que as estruturas
sindicais têm das consequências que esta forma de luta tem nos utentes
do SNS.Segundo o Sindepor, entre as várias
reivindicações, está a integração imediata nos mapas de pessoal das
instituições de todos os enfermeiros com contratos precários no SNS e a
abertura de concursos para todas as categorias, nomeadamente,
enfermeiro, enfermeiro especialista, enfermeiro gestor e para as funções
de direção.Além disso, os sindicatos
pretendem que o Governo garanta a admissão imediata de enfermeiros,
respeitando a norma de cálculo de dotações seguras dos cuidados de
enfermagem, bem como a consagração efetiva da autonomia das instituições
para contratarem profissionais.“Sem
enfermeiros motivados não temos um SNS saudável. É por isso que é
importante o Governo responder às nossas reivindicações, para termos um
SNS robusto e eficaz, como os portugueses merecem e precisam”,
considerou Carlos Ramalho, presidente do Sindepor, citado no comunicado.De
acordo com o sindicado, a marcação desta greve aplica-se apenas ao
território continental, uma vez que, nos Açores e Madeira, os
enfermeiros já viram satisfeitas algumas das suas reivindicações.O
Sindepor adiantou também que, na sequência da entrega de um documento
reivindicativo no Ministério da Saúde, em 21 de setembro, a resposta do
secretário de Estado Lacerda Sales foi de “fechar as portas à
negociação”, alegando que “deve ser feita fora da discussão” do
Orçamento do Estado para o próximo ano.Na
resposta enviada quinta-feira ao secretário de Estado, os sindicatos
“exigiram a marcação de uma reunião, até ao final deste mês, para
reabertura imediata de negociações”, avança ainda o comunicado.