Enfermeiros exigem progressão na carreira de 20 mil profissionais
23 de jul. de 2020, 15:57
— Lusa/AO Online
"A pandemia da covid-19 só veio demonstrar
como os enfermeiros foram e são importantes na resposta a dar aos
cidadãos por parte do Serviço Nacional de Saúde [SNS]. Da população
aceitamos as palmas. À sociedade não pedimos reconhecimento, é a nossa
missão. Mas ao Governo exigimos opções", disse a coordenadora da direção
Regional do SEP, Fátima Monteiro, em declarações aos jornalistas à
porta do Hospital de São João, no Porto.Esta
manhã um grupo de cerca de uma dezena de enfermeiros protagonizou,
junto à entrada principal desta unidade hospitalar, uma espécie de
rábula a satirizar as ajudas e apoios do Estado à banca e a outros
setores.Com uma máscara com a cara do
primeiro-ministro, António Costa, um dos enfermeiros aproximou-se dos
colegas e exibiu um cheque fictício endereçado ao Novo Banco. Seguiu-se a
"visita" da "ministra da Saúde", ou seja, de uma enfermeira com uma
máscara a representar Marta Temido que se aproximou para aplaudir o
grupo e agradecer o seu trabalho, mas este exibiu bolsos vazios."Para
a banca há sempre dinheiro e para os profissionais de saúde, e para os
trabalhadores portugueses, não", frisou Fátima Monteiro que descreveu,
ainda, a reunião do SEP com o Ministério da Saúde que decorreu a 14 de
julho como inconclusiva."As expectativas
foram totalmente goradas. Saímos conforme entramos. Disseram que a
Assembleia da República vai discutir em setembro as nossas petições, mas
compete ao Governo encontrar soluções e não à Assembleia da República.
De qualquer forma, vamos ver quais são os partidos que disseram que
estavam a lado dos enfermeiros e como se posicionam na votação destas
propostas", referiu a coordenadora.Entre outras reivindicações, o SEP queixa-se de que a atual carreira "não valoriza a profissão"."Continuamos
a assistir a colegas aos quais não são contados os pontos para
progredir" e "continua a existir uma carreira diferente para contratos
de trabalho em funções públicas e para contratos individuais de
trabalho", disse Fátima Monteiro.A
coordenadora da direção Regional do SEP falou de uma "revolta de anos",
sublinhou que o setor "sofre com falta de profissionais" e lamentou que
"quem é agora admitido só o consegue por vínculo precário"."O
descongelamento das progressões foi usado na última campanha de forma
política, tendo sido dito que o descongelamento iria resolver problemas e
os mais beneficiados seriam os enfermeiros. Não. Estão a ser muito
prejudicados e mais de 20 mil enfermeiros aguardam o descongelamento",
descreveu Fátima Monteiro.O SEP critica
ainda o valor de 1.201 como ordenado mínimo da profissão, mas recorda
que este valor é o de "acesso à profissão", pelo que "não pode ser
considerado como pontos para descongelamento [de carreira]", querendo
evitar "injustiças" como "a de um colega que comece a trabalhar ganhe o
mesmo que profissionais com 20 anos de carreira"."A
carreira foi revista e em nada veio valorizar ninguém e veio criar
injustiças. E isto sem contrapartidas económicas. A transição de
carreiras não significou um acréscimo salarial. Governo reconhece
publicamente isto, mas não toma opções políticas que solucionem estes
problemas", concluiu.