Enfermeiros defendem necessidade de “repensar” Sistema Regional de Saúde dos Açores

3 de mai. de 2025, 16:00 — Lusa

“[Uma ilação é] a necessidade de repensarmos a fundo o Sistema Regional de Saúde e toda a sua interoperabilidade entre as várias instituições e os vários ‘players’ de toda a prestação de cuidados”, defendeu Pedro Soares à agência Lusa.O incêndio no hospital de Ponta Delgada, o maior dos Açores, aconteceu em 04 de maio de 2024 e obrigou à retirada de todos os pacientes da instituição, que ainda não retomou a atividade plena no edifício afetado.O presidente da secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros realçou, também, que a catástrofe demonstrou a resiliência dos profissionais.“Temos uma grande equipa de profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, mas não só, com uma grande capacidade de resiliência perante grandes problemas, como foi o incêndio no HDES”, enalteceu.O enfermeiro recordou a “incredulidade” sentida no dia do incêndio, sucedida por uma “união de esforços” por parte de todos os enfermeiros, quer os que estavam a trabalhar, quer os que não estavam de serviço.“Foram momentos de muito stress, mas, acima de tudo, foi uma vontade de juntarem o máximo de esforços possíveis. Além dos que estavam a trabalhar, os que estavam em casa deslocaram-se para a instituição para ajudar”, lembrou.Pedro Soares destacou o “sucesso da operação” que levou à retirada de todos os doentes do HDES, um momento que “ainda hoje está marcado” e continua a ser tema de conversa entre os profissionais.“Naquele momento tudo é esquecido. Tudo é colocado para trás. O cansaço do dia-a-dia é colocado para trás. É colocado como objetivo único a segurança dos utentes”, assegurou.O incêndio deixou o hospital de Ponta Delgada (o único hospital público da maior ilha açoriana de São Miguel) inoperacional, obrigando à dispersão de serviços por várias instituições da ilha.O prolongar da situação gerou “cansaço” e “desmotivação” entre os enfermeiros que, garante o responsável pela Ordem nos Açores, procuraram “manter o foco” e garantir “apenas e só” a “segurança dos utentes”.“Foram dias difíceis. Estamos a falar de uma readaptação completa por parte dos enfermeiros, alguns em equipas diferentes, instituições diferentes, com toda a adaptação necessária a novos espaços físicos e novas rotinas. Isso cria um desgaste muito grande e uma sensação de dificuldade acrescida”, sublinhou.Só em 05 de fevereiro é que o hospital de Ponta Delgada voltou a ter capacidade para assegurar os cuidados que prestava antes do incêndio com a operacionalização plena de uma infraestrutura modular, construída para compensar o encerramento de parte do edifício central.O incêndio, que teve origem nas baterias de correção do fator de potência do posto de transformação, obrigou a deslocar cerca de 300 doentes para outras unidades de saúde na região, para a Madeira e para o continente.