Encarregados de educação denunciam burlas em quartos para alunos universitários

Hoje 16:29 — Nuno Martins Neves

A ansiedade de um aluno enquanto espera por saber se conseguiu entrar no curso que sonhava é comparável à do encarregado de educação que procura por um sítio onde o seu filho possa residir durante a sua vida académica.E se a (falta de) habitação  em Ponta Delgada é sobejamente conhecida, pior fica quando diversos estudantes, vindos das outras ilhas ou de fora do arquipélago, procuram por um apartamento ou por um quarto. Uma tarefa que se assemelha, sem grande exagero, à procura de uma agulha no palheiro.Segundo o Observatório do Alojamento Estudantil (OAE),  plataforma digital e acessível ao público que identifica diariamente a oferta privada de alojamento para estudantes, no concelho dePonta Delgada existiam, em março, 47 quartos disponíveis, variando entre os 290 euros e os 650 euros, para uma média de 425 euros mensais.  Comparando com o ano passado, a quantidade é igual (46), mas os preços mínimo e máximo dispararam (160 e 520 euros, respetivamente), com a média a manter-se nos 430 euros.Estes são os dados que o OAE recolheu, a partir de  fontes públicas de informação, designadamente portais imobiliários e sites de agências do setor, agregando dados de mais de 20 plataformas distintas.No entanto, ao Açoriano Oriental chegaram diversos relatos de pais e alunos dando conta de valores muito mais elevados, com o aluguer de T0 a 900 euros/mês, ou de quartos a 750 euros, muitos sem despesas incluídas e sem os contratos exigidos por lei.Números que refletem a muita procura e a reduzida oferta, mas que aumentam o peso na carteira das famílias que querem proporcionar aos filhos estudos universitários.Ao jornal chegaram, igualmente, casos que podem configurar situações de fraude ou burla. Um dos encarregados de educação dá conta de um anúncio de aluguer de imóvel que exige o pagamento de uma caução para visitar o espaço. Após o pagamento da caução (num dos casos, chegou a ser de 200 euros), o “arrendatário” deixa de estar contactável, deixando a família açoriana “a arder”.O jornal tomou conhecimento de, noutra situação, o “arrendatário”ter utilizado documentação falsa (como cartões de cidadão com dados falsos), para ludibriar os interessados no imóvel.Noutro caso, as imagens publicitadas do imóvel ou quarto eram completamente diferentes da realidade.