Encalhe do "Mestre Simão" deveu-se a "infortúnio do mar"
14 de mai. de 2018, 19:29
— Lusa/AO Online
"A nossa tese é
que houve aqui um conjunto de ondas que deixaram o navio sem governo,
aquilo a que os homens do mar designam por infortúnio do mar", explicou
Carlos Faias, presidente do Conselho de Administração da Atlânticoline,
empresa proprietária do navio, em conferência de imprensa tida hoje na
Horta.Segundo
aquele administrador, o relatório interno ao acidente com o navio
"Mestre Simão", ocorrido em 06 de janeiro deste ano, à entrada do porto
da Madalena, na ilha do Pico, exclui qualquer responsabilidade do mestre
da embarcação ou dos restantes elementos da tripulação, que foram até
elogiados pela rápida retirada de todos os passageiros que seguiam a
bordo."Em
momento algum há, pelo menos em nosso entender, qualquer mínima
evidência que possa ser apresentada, de alguma culpabilidade ou de
alguma negligência à tripulação", insistiu Carlos Faias, garantido que
os tripulantes do "Mestre Simão" procederam de forma correta durante a
aproximação e entrada no porto.De
acordo com o relatório interno agora divulgado, o navio, de 40 metros
de comprimento, estava a aproximar-se da entrada do porto, quando uma
"sucessão de ondas" empurrou a embarcação para a rocha, impedindo-a de
guinar a bombordo, para poder manobrar em segurança.O
documento recomenda agora a instalação de uma câmara no porto da
Madalena para que, à saída da Horta, seja possível antever as condições
no local.O
presidente do conselho de administração da Atlânticoline adiantou que o
mestre do navio ainda tentou colocar a máquina à ré, para evitar o
encalhe, mas que a máquina não terá correspondido, "por uma questão de
segurança", já que a embarcação se encontrava em andamento (a uma
velocidade de 15 nós) quando encalhou.A
Atlânticoline já assinou, entretanto, um contrato com os "Astilleros
Armon", em Espanha, que tinham construído o "Mestre Simão", para a
construção de um navio substituto, que terá capacidade para transportar
333 passageiros e 15 viaturas (mais sete do que o navio encalhado), e
que irá custar cerca de 10,2 milhões de euros.