Em conferência de imprensa conjunta com o
ministro da Economia Pedro Siza Vieira, Mário Centeno afirmou que se
está a "construir uma moratória de capital e de juros, num trabalho que
está a ser desenvolvido entre o Banco de Portugal e o sistema bancário,
em particular com a APB [Associação Portuguesa de Bancos]"."Toda
a legislação que seja necessária para concretizar esta moratória será
aprovada até ao final do mês e avançará de forma efetiva para, mais uma
vez, garantir que neste período temporário, num choque que não tem
características de flutuação cíclica habitual, todos estamos a dar o
nosso contributo", afirmou Mário Centeno.O
também presidente do Eurogrupo lembrou também que os bancos já
anunciaram medidas como "a eliminação de taxas mínimas cobradas aos
comerciantes do pagamento por POS ['Point of sale', terminais de
pagamento automático", para que todos possam "aceitar pagamentos em
meios eletrónicos sem necessidade de estabelecer qualquer valor mínimo"."Apesar
de se manter a possibilidade de pagamento de notas e moedas, é
desejável que se reduza ao mínimo indispensável nesta fase", completou
Centeno, anunciando ainda que o limite máximo os pagamentos por cartões
sem necessidade de contacto com as máquinas ('contactless') deverá ser
aumentado para 30 euros.Questionado pela
Lusa se a concessão de moratórias da banca às empresas seriam alargados
às famílias, por exemplo, no pagamento de prestações do crédito à
habitação, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou que
"medidas dirigidas à situação das famílias serão comunicadas
posteriormente"."Nesta altura, a questão
essencial é assegurar que as empresas preservam essa capacidade
produtiva para no momento da retoma poderem responder à procura que se
vai avizinhar. Esta é a altura de assegurarmos liquidez para o
funcionamento da economia", afirmou.Pedro
Siza Vieira afirmou que a função essencial dos apoios "é aliviar a
pressão dos compromissos de tesouraria perante a banca e perante a
Segurança Social e o Fisco, e assegurar também liquidez suficiente para
poderem ir mantendo e preservando a sua capacidade produtiva e
protegerem os empregos".O Governo anunciou um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das
empresas no montante total de 3.000 milhões de euros, destinadas aos
setores mais atingidos pela pandemia Covid-19.Em
conferência de imprensa conjunta dos Ministérios das Finanças e da
Economia, transmitida ‘online’, o ministro da Economia anunciou um
conjunto de linhas de crédito, garantidas pelo Estado, que alavacam para
3.000 milhões de euros o apoio à tesouraria das empresas.Estas
linhas de crédito têm um período de carência até ao final do ano e
podem ser amortizadas em quatro anos, referiu Pedro Siza Vieira.Em
Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou na terça-feira o número
de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na
segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.O
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião
do Conselho de Estado para hoje, para discutir a eventual decisão de
decretar o estado de emergência.