Empresas registam “avanço extraordinário” na paridade
6 de dez. de 2021, 19:16
— Lusa/AO online
As
declarações foram feitas numa mensagem gravada para a sessão de
apresentação do Livro Branco sobre Equilíbrio entre Mulheres e Homens
nos Órgãos de Gestão e Planos para a Igualdade nas Empresas, que
decorreu hoje no ISEG, em Lisboa.Desenvolvido
no âmbito do projeto “Women on Boards”, o estudo – realizado nos
últimos três anos – analisou o efeito da Lei n.º62/2017, que entrou em
vigor em janeiro de 2018.Sublinhando
tratar-se de “uma lei muito recente”, Rosa Monteiro assinalou o
“aumento significativo no número médio de mulheres” nas empresas do
setor empresarial do Estado (44%), nas empresas cotadas em bolsa (31%) e
nas empresas do setor empresarial local (29%).Estes
números são sinal de um “caminho já muito positivo”, observou,
reconhecendo que há margem para melhorar e, nesse sentido, agradecendo
as recomendações da equipa de investigação, composta por Sara Falcão
Casaca, Maria João Guedes, Susana Ramalho Marques, Nuno Paço e Heloísa
Perista.De
acordo com o Livro Branco, “são evidentes algumas mudanças” desde a
adoção da Lei n.º62/2017, que estabelece o regime da representação mais
equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de administração e
fiscalização das entidades do setor público empresarial (Estado e local)
e das empresas cotadas em bolsa (Euronext Lisbon) – ambas obrigadas a
ter 33,3 por cento de mulheres, desde janeiro de 2018 no primeiro caso e
janeiro de 2020 no segundo.O
estudo concluiu que houve um aumento “notório” de mulheres nos órgãos
de administração e fiscalização das empresas cotadas em bolsa, mas
assinala também que esse aumento se verificou, sobretudo, em cargos não
executivos.“Nos
cargos executivos, bem como nas posições de maior proeminência nos
órgãos de gestão, ainda pouco se tem avançado”, lamenta a equipa de
investigação, referindo que, no caso da representação de mulheres em
cargos executivos, se verificou um decréscimo em 2021. No
caso do setor empresarial do Estado (173 empresas em 2020), há paridade
tanto em cargos executivos (41%) como em cargos não executivos (38%),
refere o estudo, realçando, porém, que “em apenas 18% das empresas é
possível identificar mulheres a presidir ao conselho de administração”.A
avaliação é “menos positiva” no universo de 181 entidades do setor
empresarial local, nas quais as mulheres representam apenas 29% nos
órgãos de administração (14% na presidência).A
equipa de investigação detetou uma taxa de elaboração e comunicação de
Planos para a Igualdade “muito fraca”, sobretudo no setor empresarial do
Estado.Essa
constatação foi comentada pela secretária de Estado Rosa Monteiro, que
reconheceu que a adoção de Planos para a Igualdade, uma das obrigações
da lei, revela “números muito baixos em 2020”, mas, simultaneamente, não
deixou de registar um aumento relativamente a 2019.Rosa
Monteiro frisou que é preciso “perceber as mudanças substantivas”
decorrentes do novo quadro legal e analisar as “práticas embrenhadas nos
sistemas de gestão das empresas”.SBR // ZO