Empresários valorizam salários até onde é “sustentável”
24 de abr. de 2023, 15:15
— Lusa
Mário
Fortuna, presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada
(CCIPD), referiu, no caso especifico do setor do turismo, que “as
pessoas falam com perceções não fundamentadas relativamente à forma como
estão ou não as empresas”.De acordo com o
dirigente da CCIPD, que falava em conferência de imprensa, em Ponta
Delgada, é “extremamente penoso pedir que se valorize os salários,
impor-se impostos e ainda quererem dar subsídios”, sendo esta uma
“confusão tremenda”.O também economista e
professor universitário salvaguardou que “ninguém melhor que as empresas
sabem até onde se pode ir”, indo o tecido empresarial “até onde é
sustentável”.“Evidentemente que não é
sustentável irmos mais longe, se não tínhamos ido. Os empresários estão
presentes para valorizar os trabalhadores e os recém-formados. Essa
perceção de que as pessoas não são valorizadas é errada”, afirmou o
líder dos empresários.Para Mário Fortuna,
ir mais além “é por em risco as próprias empresas” privadas, tendo
salvaguardado que, “no setor público, vai se para além daquilo que é
razoável e depois acontecem situações que são ruinosas, pagando depois a
sociedade toda”. Mário Fortuna referiu,
por outro lado, que já está a acontecer alguns restaurantes, em Ponta
Delgada, terem mão-de-obra estrangeira para satisfazer o crescimento do
setor do turismo, tendo classificado este processo como “normal e bem
vindo”.O líder da CCIPD especificou que
vão abrir, por exemplo, na ilha de São Miguel, nos próximos dois anos,
mais espaços hoteleiros no total de cerca de mil camas, o que vai
implicar “no mínimo dos mínimos 250 novos trabalhadores, provavelmente
com hotelaria de qualidade, 500 ou mais”.No
âmbito das negociações com os cinco sindicatos, a CCIPD referiu que as
tabelas salariais vigoram de 2020 a 2023, tendo sido celebrados 14
contratos coletivos de trabalho para aplicar nas ilhas de São Miguel e
Santa Maria.Nas negociações teve-se como
base o aumento do salário mínimo para as respetivas atualizações dos
vencimentos e sido seguido o acordo de parceria a nível nacional. “Isso
é um resultado muito positivo e importante porque se fez tudo isso em
paz social, sem conflitos e greves”, disse Mário Fortuna.O
dirigente salvaguardou que muitas empresas fecharam os seus acordos de
empresas para além do negociado pela CCIPD, sendo que “o objetivo de
valorização salarial que tanto se pretende está a ser cumprido”.