Empresários reivindicam partilha de energia por cabo entre todas as ilhas dos Açores
17 de mai. de 2023, 05:49
— Lusa/AO Online
“A
aposta nesta interconexão elétrica açoriana tem como objetivo poder
reduzir as tarifas elétricas, ajudando assim a economia e as empresas
destas ilhas, que têm sido tão massacradas pelo não apoio no aumento da
TSU [Taxa Social Única], pelo aumento de 5% do salário mínimo regional,
pelo atraso na chegada dos apoios às empresas, entre tantos outros
constrangimentos que dificultam e restringem o desenvolvimento
empresarial e social na nossa região”, afirmou a associação empresarial,
em comunicado de imprensa.A CCAH, que representa empresários das ilhas Terceira, São Jorge e
Graciosa, já tinha criticado o presidente do conselho de administração
da Eletricidade dos Açores (EDA), Nuno Pimentel, por ter afastado a
hipótese de partilha de energia por cabo entre ilhas.Os empresários apontaram outros exemplos em Portugal para insistir na
“necessidade de ligar todas as ilhas dos Açores através de cabo
elétrico”, para otimizar “os recursos energéticos renováveis existentes e
os investimentos realizados”.“As recentes
notícias da intenção de interconexão elétrica, através de ligação de
cabo elétrico de Portugal a Marrocos, bem como os trabalhos já
desenvolvidos pela Madeira, para a instalação do cabo de energia
denominado ‘cabo elétrico entre as ilhas da Madeira e Porto Santo’, que
partirá da ilha da Madeira (baía do Faial) com destino à ilha do Porto
Santo (enseada da Morena), vêm dar razão à ideia defendida pela CCAH”,
salientaram.A associação empresarial,
liderada por Marcos Couto, defendeu que “os 147 milhões que a EDA recebe
a título compensatório pela ERSE [Entidade Reguladora dos Serviços
Energéticos] têm de ser bem utilizados”.“Quanto
mais ineficiente for a gestão, mais a EDA ganha e este paradigma tem de
ser alterado, até porque quem paga esta ineficiência são as empresas”,
acusou.Segundo a câmara de comércio, há
empresas que estão a cancelar débitos diretos “como solução para fazer
face à falta de liquidez”, devido ao “aumento tarifário da
eletricidade”.“Não é aceitável que
entidades públicas não liquidem as suas dívidas à EDA, no entanto, um
qualquer empresário veja a energia cortada ao fim de três meses sem
pagamento”, apontou.