Empresários pedem medidas urgentes para reforçar acessibilidades aéreas nos Açores
Hoje 14:54
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a associação empresarial das ilhas de São Miguel e de Santa
Maria recorda os resultados da atividade turística divulgados pelo
Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) relativos ao mês de
abril de 2026, que apontam para uma quebra homóloga de 12,3% nas
dormidas e de 12,1% no número de hóspedes nos estabelecimentos de
alojamento turístico da Região. Estes
dados, refere a associação empresarial, presidida por Gualter Couto,
confirmam “uma tendência de enfraquecimento da procura turística que não
pode ser ignorada”.A direção da CCIPD
lembra que também o mês de março já tinha registado uma diminuição
homóloga das dormidas, na ordem dos 2,4%, apesar do impacto positivo
associado ao período da Páscoa. Para a
associação, particularmente “preocupante” é o comportamento do mercado
nacional, que continua a ser o principal emissor para os Açores. Em
abril, as dormidas de residentes em Portugal diminuíram 20,4%, depois
de já terem registado uma quebra de 9,3% em março, aponta ainda a
associação empresarial.Na nota, a direção
da CCIPD salienta que estes resultados reforçam as preocupações que tem
vindo a fazer desde o anúncio da saída da Ryanair nos Açores e revelam
“uma perda significativa de competitividade do destino junto dos
visitantes nacionais, precisamente o segmento mais sensível aos custos
de deslocação”.“Menos operadores significa
menor capacidade disponível, menor pressão concorrencial e,
inevitavelmente, maior propensão para o aumento dos preços das viagens”,
refere a CCIPD, considerando que a presença da companhia aérea Ryanair
desempenhava “um importante papel regulador do mercado”, ao contribuir
para manter tarifas mais competitivas e acessíveis para residentes e
visitantes.Os efeitos desta realidade
tornam-se ainda mais evidentes, segundo a associação, quando se observa a
forte quebra registada em segmentos como o alojamento local (-22,1%) e
no turismo em espaço rural, que recuou 23,9%.A
associação destaca ainda o decréscimo de 2,8% no REVPAR em abril de
2026, indicador da indústria hoteleira que mede a receita por quarto
disponível, considerando que o resultado demonstra que “a receita por
quarto disponível está já a baixar”.Para a
CCIPD os resultados agora conhecidos constituem “mais um sinal de
alerta para a economia regional”, sendo que o turismo “é um dos
principais motores de crescimento dos Açores e a sua sustentabilidade
depende de “acessibilidades aéreas competitivas, diversificadas e
capazes de garantir concorrência efetiva entre operadores”.“É,
por isso, fundamental que sejam adotadas medidas urgentes que reforcem a
atratividade do destino, promovam a recuperação da capacidade aérea
perdida e assegurem condições de concorrência que permitam travar a
escalada dos custos de acesso aos Açores”, defende.Para
a associação empresarial, os dados devem ser encarados como “um aviso
sério” e uma oportunidade para “corrigir o rumo” antes que os impactos
económicos sejam “mais profundos e difíceis de inverter”.“A
região não pode resignar-se à perda gradual de competitividade nem
aceitar que a redução da oferta aérea comprometa os resultados
alcançados ao longo dos últimos anos”, alerta ainda a CCIPD.