Empresários exigem ao Governo dos Açores que reconheça “dimensão do problema” no turismo
Hoje 16:02
— Lusa/AO Online
“Os resultados de julho
confirmam que já não estamos apenas perante um problema de aumento da
sazonalidade do destino. Estamos perante uma perda global de fluxos
turísticos que atravessa os diferentes períodos do ano e que se verifica
agora também num dos meses de maior procura turística nos Açores”,
alertou a associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria
em comunicado.Os Açores registaram, pelo
décimo mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos
turísticos, em julho, com uma quebra de 2,2% face ao período homólogo,
segundo dados revelados pelo Serviço Regional de Estatística
(SREA).Em reação, a CCIPD salientou que a
“quebra do turismo em plena época alta” confirma a “perda de
competitividade” da região, considerando “particularmente preocupante a
ausência de uma resposta do Governo Regional proporcional à dimensão
real do problema”.“O Governo Regional tem
de reconhecer a dimensão do problema e passar urgentemente das intenções
e dos anúncios à execução de medidas concretas, antes que a perda de
conectividade, a procura e a competitividade produzam danos mais
profundos e duradouros no turismo e na economia dos Açores”.Os
empresários avisam que “não é possível continuar a assistir à
deterioração” dos indicadores turísticos e “esperar que o mercado por si
só inverta a tendência”, já que o “tempo para diagnósticos terminou” e
“é necessário agir”.“A CCIPD reclama uma
resposta imediata que permita recuperar capacidade aérea e concorrência
nas ligações com o continente, acelerar a captação de novas rotas e
operadores, reforçar substancialmente a promoção externa do destino e
concretizar os instrumentos de apoio às acessibilidades que têm vindo a
ser anunciados”, lê-se no comunicado.A
associação empresarial realçou que existem “diversas situações em que
viajar para a Madeira apresenta preços próximos da metade dos praticados
para Ponta Delgada, com diferenças que podem atingir cerca de 350 euros
a mais, por passageiro”.Para a CCIPD, a
“situação é particularmente evidente em São Miguel”, que representa
cerca de 65,5% das dormidas em hotelaria a alojamento local da região e
onde se registou uma quebra nas dormidas de 3%.Os
empresários defendem, também, que “não é correto” utilizar os proveitos
turísticos de “apenas uma parte do setor para concluir que a atividade
turística regional apresenta uma evolução económica favorável, quando o
segmento que concentra a maior parcela das dormidas está em queda
significativa e os valores dos proveitos são ocultados”.A
associação empresarial considerou, também, que a redução do mercado
nacional comprova as consequências da saída da Ryanair (que abandonou a
região em março) ao nível da “redução da capacidade e da concorrência
nas ligações com o continente”.