Empresários e Universidade defendem reforço da presença da FLAD nos Açores

Hoje 10:21 — Lusa/AO Online

“Acho que sim, que poderá haver uma representação física permanente nos Açores. Não somos contra isso, não temos nada contra, desde o momento que não onere o Orçamento Regional, que nós entendemos que deve ser direcionado para questões estruturais e mais importantes do que esta questão específica”, afirmou o presidente da CCIA, Francisco José Rosa, durante uma audição na Comissão de Política Geral da Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.O empresário foi ouvido pelos deputados na sequência de um projeto de resolução apresentado pela bancada do Chega, que recomenda ao Governo Regional de coligação (PSD/CDS-PP/ PPM) que promova diligências com vista ao reforço da presença institucional da Fundação Luso-Americana nos Açores (FLAD) no arquipélago.Francisco José Rosa lembrou, no entanto, que o acordo bilateral entre os Estados Unidos da América (EUA) e Portugal, criado a propósito da utilização da Base Aérea das Lajes, na ilha Terceira, pelos norte-americanos, tem tido “pouco impacto na economia” dos Açores.“A primeira relação é com a Universidade e não com a Câmara do Comércio, com os empresários ou com a economia, se bem que todas as intenções são no sentido de que essas relações sejam cada vez mais frequentes e eficazes ou que, pelo menos, tenham mais algum impacto na economia ou no dia-a-dia dos açorianos”, acrescentou.Já a reitora da Universidade dos Açores, Susana Mira Leal, também ouvida  na Comissão de Política Geral, considerou que, mais importante que criar uma estrutura física em representação da FLAD no arquipélago, é reforçar as parcerias com a fundação.“Parece-me que o que importa é aprofundar a relação com a FLAD, aprofundar as oportunidades de parceria e de investimento da FLAD, designadamente pensando em prioridades estratégicas para a região, alinhadas com os seus objetivos de desenvolvimento estratégico e com iniciativas concretas”, sugeriu Susana Mira Leal.Desta forma, continuou, deviam ser lançados concursos próprios para os Açores, com linhas de financiamento próprias, que permitissem ajudar a reforçar o papel da FLAD, retirando daí “resultados concretos, objetivos e mensuráveis”.Os deputados ao parlamento açoriano pretendiam também ouvir um representante da FLAD, mas a Fundação enviou uma carta ao parlamento considerando “extemporâneo” pronunciar-se nesta altura, ainda antes do executivo açoriano.“Por razões de protocolo e de adequado respeito institucional, a FLAD considera ser preferível aguardar que aquelas entidades se pronunciem previamente sobre a matéria em análise e sobre a eventual necessidade, âmbito e natureza dos esclarecimentos que entendam vir a solicitar à Fundação”, justificou Sérgio Almeida Correia, diretor da FLAD.Pelo Chega, a deputada Olivéria Santos considerou a recusa da fundação em ser ouvida “um desrespeito” para com a Comissão de Política Geral e para com o parlamento dos Açores.O Chega defende a criação de uma delegação ou estrutura permanente da FLAD nos Açores, dotada de meios humanos, técnicos e administrativos adequados, que possam desenvolver programas, iniciativas e parcerias com as entidades locais, designadamente nas áreas científica, educativa, cultural e tecnológica.A FLAD, que tem sede em Lisboa, foi criada a 20 de maio de 1985, na sequência de um acordo diplomático entre Portugal e os Estados Unidos da América, com o objetivo de aprofundar a cooperação bilateral e promover o progresso social económico de Portugal.