Empresários e agricultores a favor da redução de organismos públicos nos Açores
Hoje 16:35
— Lusa/AO Online
“Diria que estas medidas vão ao
encontro daquilo que são as nossas preocupações”, afirmou o presidente
da CCIA, Marcos Couto, ouvido na comissão de Economia da Assembleia
Regional, reunida em Ponta Delgada, a propósito da iniciativa da
bancada do Chega para reduzir o peso do setor público empresarial
regional.O empresário disse concordar, de
uma forma genérica, com a proposta do Chega, mas quando confrontado
pelos deputados do parlamento açoriano sobre as entidades ou organismos a
fundir ou extinguir, evitou responder com pormenor.“Dificilmente
poderia estar aqui a dizer que vamos extinguir estas ou aquelas,
especificamente. Agora, provavelmente, muitas delas até poderiam ser
privatizadas ou extintas”, admitiu.Marcos
Couto lembrou que “não cabe” à Câmara do Comércio e Indústria dos Açores
fazer o “debate político” sobre a proposta do Chega, mas apenas avaliar
o impacto financeiro da iniciativa legislativa, não apenas para o setor
público, como também para o setor privado.“O
que à Câmara do Comércio e Indústria dos Açores cabe alertar é para o
peso excessivo que o setor público empresarial tem nas contas da
região”, advertiu.O representante da
associação empresarial açoriana considerou ainda que o próprio executivo
açoriano (PSD/CDS-PP/ PPM) poderia substituir-se a muitas empresas,
organismos ou institutos públicos regionais.“Não
seriam necessários tantos institutos e tantos observatórios porque, de
um modo geral, a estrutura do Governo que já existe daria perfeitamente
resposta a estas necessidades”, insistiu Marcos Couto.Também
o presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), Jorge Rita,
igualmente ouvido hoje na Comissão de Economia da Assembleia Regional,
disse concordar com alguns pontos da proposta do Chega que está em
discussão no parlamento.“É facilmente
reconhecido que tem havido um aumento dos custos com o setor público
empresarial nos Açores, todos os anos”, admitiu o dirigente federativo,
reconhecendo que a iniciativa do Chega “pode ajudar a atenuar” alguns
desses custos acrescidos para os cofres da região.Mas,
quando confrontado com o eventual contributo que o setor agrícola
regional poderá vir a dar à redução da despesa pública, Jorge Rita
mostrou-se mais cauteloso, discordando, por exemplo, que se coloquem
limites aos apoios públicos destinados aos produtores regionais.“Esses
limites não devem comprometer a viabilidade das explorações agrícolas,
nem penalizar injustamente os agricultores”, alertou o presidente da
FAA, recordando que basta haver um aumento dos custos de produção,
devido a conjunturas internacionais, como a guerra no Médio Oriente, por
exemplo, ou outras situações “anormais”, como intempéries, para que o
setor fique limitado no seu desempenho.O
Chega/Açores considera que despesa da administração pública regional e
do setor público empresarial tem evoluído “a um ritmo desproporcionado”,
face ao crescimento da economia regional, evidenciando um
“desequilíbrio estrutural entre recursos disponíveis e encargos
assumidos”.“O número de funcionários
públicos tem crescido a um ritmo insustentável, sendo que entre 1996 e
2024, aumentou 44%, passando de 13.937 para 20.035, enquanto a população
residente, pelo contrário, diminuiu 2,5%”, lê-se na proposta
apresentada pelo partido.O Chega defende
que parte significativa dos serviços atualmente prestados por entidades
públicas nos Açores poderia ser assegurada, “com maior eficiência e
menor custo, por operadores privados”, desde que enquadrados por uma
“regulação robusta”, que salvaguarde o interesse público.