Empresários dos Açores querem estratégia clara para as privatizações
12 de dez. de 2024, 10:10
— Lusa/AO Online
De acordo com a CCIA, torna-se
necessário dar prioridade à economia privada, a “única alavanca
autossustentável para o progresso da região”, sendo que para “consolidar
o contributo privado na economia dos Açores é necessária uma estratégia
clara de privatização de um conjunto de entidades públicas, que têm
conhecido uma gestão desastrosa, ao longo dos anos”.Na
sequência de uma reunião da CCIA, o tecido empresarial dos Açores
considera, em nota de imprensa, que a racionalidade económica foi
“substituída por agendas políticas que põem em risco a própria
sustentabilidade da autonomia”.“É
indispensável levar a novo limite as privatizações de diversas entidades
públicas por se constatar que os agentes privados têm uma gestão mais
eficiente e criadora de valor, ao invés da destruição de valor, como tem
acontecido com o setor público empresarial, sempre sujeito a decisões
políticas. As privatizações contribuem também para diminuir o risco que
estas entidades comportam para as finanças públicas regionais”, sustenta
o organismo.A CCIA classifica, por outro
lado, como positivo que o Orçamento do Estado para 2025 contemple uma
verba de 150 milhões de euros para a região transformar dívida comercial
em dívida financeira, o que “pode contribuir para reduzir os atrasos
nos pagamentos por parte do setor público às empresas privadas”.O
organismo representativo dos empresários dos Açores congratula-se com o
facto de o Plano e Orçamento de 2025 dos Açores prever a possibilidade
de recurso ao endividamento para fazer face a investimentos,
designadamente dos cofinanciados por medidas europeias, “abandonando a
política de endividamento zero, que se revelou prejudicial para as
empresas” com atrasos nos pagamentos.A
CCIA reitera a sua preocupação com o “atraso na execução de algumas
medidas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), entre as quais a
capitalização das empresas, que “não acontece”, a par do “impacto que o
fim da utilização destes fundos vai provocar em muitas atividades
económicas”.De acordo com os empresários, é
“preocupante o facto de infraestruturas e outros projetos financiados
pelo PRR virem a criar significativa despesa corrente fixa”, o que
implica “aumentar a despesa pública regional, num contexto em que a
prioridade deveria passar pela redução da despesa corrente”.A
CCIA considera ainda “positiva a evolução da atividade económica
regional em 2024, muito impulsionada pelo setor do turismo, que, este
ano, vai estabelecer novos recordes em vários indicadores como turistas,
dormidas, proveitos, custos e contribuição para o PIB e para a geração
de impostos”.No entanto, o turismo
“continua a carecer de investimento público em promoção e em
infraestruturas”, sendo “importante que o poder público regional e local
apoie fortemente este setor”.