Empresários dos Açores querem empenho para não reduzir quadro comunitário
Eleições Legislativas 2019
8 de out. de 2019, 05:57
— Lusa/AO Online
Mário Fortuna, da direção da
Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), declarou à
agência Lusa, na sequência da eleição dos novos deputados da região para
a Assembleia da República no domingo, que esta é uma das prioridades
face aos indicadores açorianos de “falta de competitividade e
desenvolvimento” em termos comparativos com o contexto nacional.Para
o também economista, a pretexto da passagem nos Açores do furacão
“Lorenzo” e dos danos provocados em infraestruturas, deve-se “olhar mais
para este setor na região” através da concretização da recomendação dos
deputados na legislatura anterior relativa à ampliação do aeroporto da
Horta, bem como dando atenção ao novo terminal de granéis do porto de
Ponta Delgada.O representante quer que os
deputados açorianos - três eleitos pelo PS e dois pelo PSD - se empenhem
na revisão dos modelos de acessibilidade aérea e marítima aos Açores,
sendo que no primeiro caso considera que “é importante salvaguardar o
essencial do atual e não danificar, não se regredindo na qualidade e
funcionalidade”.Para Mário Fortuna, e
sendo que esta é uma responsabilidade da Assembleia da República, “é
preciso rever as obrigações de serviço público aéreo entre os Açores e o
continente”, que no caso do Faial e Pico “estão a falhar”.Para estas ilhas, indicou, é possível criar “outras soluções”.No
caso específico do transporte marítimo, declarou que se está a
“estrangular a economia da região” e que é também desejável, no capítulo
da formação superior, que a Universidade dos Açores seja dotada de mais
meios para promover uma aproximação da região aos valores nacionais em
termos de qualificação.Isto tendo em
conta, acrescentou, que os açorianos "têm dificuldades em deslocar-se
para o sistema de ensino nacional no continente".O
vogal da CCIA defende também uma revisão do sistema eleitoral, uma vez
que os Açores, na atual legislatura, não possuem um “único
representante” no Parlamento Europeu.No
seu entender, é “importante salvaguardar que isso não aconteça no
futuro”, através da criação de um círculo eleitoral próprio, a par da
revisão do sistema eleitoral regional, face aos índices de abstenção
verificados nos últimos atos.Mário Fortuna
pede ainda que os deputados eleitos se empenhem numa solução nacional
para fazer face ao impacto que a situação financeira do grupo SATA está a
ter nos orçamentos regionais. O
presidente da Federação de Pescas dos Açores, Gualberto Rita, considera,
por seu turno, ser prioritária a “defesa intransigente” das quotas de
pesca para os Açores por parte dos deputados eleitos pelo arquipélago. O
responsável referiu que os Açores têm sofrido cortes “bastante
significativos” em espécies relevantes para o rendimento dos pescadores,
sendo “inaceitável o que tem vindo a acontecer”.“Esperamos
que os deputados dos Açores sejam na Assembleia da República a voz que
faça chegar esta preocupação ao Governo da República, porque, por vezes,
não somos atendidos da forma como gostaríamos”, declarou.