Empresários dos Açores preocupados com quebra do turismo, pedem “medidas estruturais”
Hoje 15:12
— Lusa/AO Online
Em
conferência de imprensa que juntou os presidentes da Câmara do Comércio
e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e da Associação de Alojamento
Local dos Açores (ALA) e a representante na região da Associação de
Hotelaria de Portugal (AHP), os empresários alertaram para a situação
atual do turismo no arquipélago.“As
preocupações da CCIPD tornam-se cada vez mais relevantes e importa
centrar o debate nas medidas estruturais necessárias ao combate à
sazonalidade, que continua a ser o principal desafio estratégico do
turismo açoriano”, afirmou o presidente da CCIPD, que representa os
empresários de São Miguel e Santa Maria, falando na sede daquela
associação empresarial em Ponta Delgada.Os
Açores registaram, em janeiro, uma redução de dormidas em alojamentos
turísticos de 9,9% face ao período homólogo, sendo o quinto mês
consecutivo em queda, segundo dados revelados na sexta-feira pelo
Serviço Regional de Estatística (SREA).O
presidente da CCIPD alertou que o “inverno turístico não pode ser
preparado de forma reativa” e apelou a um “combate eficaz à
sazonalidade” através de uma “abordagem baseada em dados e segmentação
de mercados” e um “modelo mais orientado para a conversão e vendas
efetivas”.O economista rejeitou que a
evolução dos indicadores turísticos represente um “planalto”, tal como
sugerido pela secretária regional da tutela em 23 de fevereiro,
considerando que os Açores “ainda nem chegaram a meio da montanha”.“Não
podemos estar à sombra da bananeira à espera de que as coisas caiam nas
mãos como aconteceu até aqui com a pompa e circunstância que foi
retirada a nível político. Queremos agora ver onde estão os políticos a
assumir as responsabilidades e a mostrar uma verdadeira estratégia”,
reforçou.Gualter Couto expressou
preocupação com o próximo verão, sinalizando que nas ligações
internacionais vai existir uma “quebra de lugares disponíveis de 9%” e
reiterou que a saída da Ryanair vai provocar impactos significativos.“Se
andamos a entrar num mercado e dois ou três anos depois estamos a sair,
peço desculpa, mas estamos como baratas tontas neste setor. Isso não é
gerir de forma profissional”, acrescentou.Já
a representante nos Açores da AHP salientou que a quebra de dormidas
“já não é antecipada”, é “sim verificada” face aos dados de janeiro, uma
tendência que poderá ter consequências na “economia no seu todo”.“Não
podemos ver isso com leveza. Mais do que prever que vai existir uma
quebra substancial de receitas de alojamento, o que vai acontecer num
cenário desses é uma quebra em toda a cadeia de valor”, declarou.Andreia
Pavão defendeu a necessidade de “promover estadas médias mais longas” e
alertou que “perder acessibilidades diretas é muito preocupante”.“Fomos
desafiados a procurar soluções para além de apenas lamentos, eu diria
que numa região arquipelágica como a nossa não se vai a lado nenhum sem
acessibilidades”.Por sua vez, o presidente
da ALA realçou que os Açores são a “região do país com maior amplitude
sazonal, o que cria dificuldades enormes de tesouraria”, e lamentou a
falta de “ação concreta” do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).“70%
dos alojamentos locais não tiveram um único hóspede em janeiro.
Significa que sete em cada 10 estiveram fechados. Isso é um revés enorme
para o turismo. As nossas pequenas e médias empresas são frágeis”,
afirmou João Pinheiro, considerando que “não basta pedir” aos
empresários para “não serem pessimistas”.