Empresários dos Açores criticam “falta de transparência” nos avales do Governo
19 de dez. de 2022, 17:09
— Lusa/AO Online
“O
sistema não foi equitativo porque nem todos beneficiaram da mesma
hipótese e, consequentemente, também não foi transparente, porque não
houve divulgação daquilo que era possível fazer”, apontou o empresário,
ouvido pelos deputados da comissão de inquérito à concessão de avales
concedidas pelos anteriores governos socialistas, que esteve reunida em
Ponta Delgada.Mário Fortuna referia-se a
uma alteração legislativa, introduzida pelo executivo açoriano, entre
2010 e 2014, que permitiu que os empresários que se candidatassem ao
sistema de incentivos SIDER, pudessem recorrer à banca, na componente de
subsídios reembolsáveis, beneficiam de um aval do Governo, como
aconteceu com a empresa Angra Sol.“Perante
uma situação como a que se gerou com a Angra Sol, de facto, era
entendido que o Governo podia prestar avales”, concluiu o presidente da
CCIPD, adiantando que “a mesma hipótese deveria ser dada a todas as
empresas que estavam a candidatar-se ao SIDER”.Mário Fortuna lembrou também que havia mais empresas
que poderiam ter acedido aos avales do Governo, se tivessem tido
conhecimento da sua existência, lamentando que tenha havido uma falha de
informação em relação a esta matéria.“Algumas
das candidaturas que ainda estão encalhadas na secretaria, e que ainda
não foram executadas, perante uma menor perceção do risco, poderiam ter
sido executadas. Portanto, houve aqui uma falhazinha de informação que
não é insignificante, porque faz diferença para as empresas”, lamentou o
empresário.Apesar das críticas ao
desempenho dos anteriores executivos socialistas, sobre a concessão de
avales a empresas privadas, Berto Messias, deputado do PS e membro da
comissão de inquérito, recusa a ideia de que a empresa Angra Sol tenha
sido beneficiada com o aval concedido pelo Governo de então.“Bem
vistas as coisas, a Angra Sol acabou por ser prejudicada e não
beneficiada, em comparação com outras empresas”, disse o parlamentar
socialista, lembrando que esta empresa, proprietária de uma unidade
hoteleira na cidade de Angra do Heroísmo, foi a única que teve de fazer
uma hipoteca sobre o imóvel para aceder àquele tipo de garantia.A
bancada do PSD manifestou-se mais preocupada com a alegada “omissão”
deste tipo de avales, que os governos socialistas terão escondido ao
Tribunal de Contas durante cerca de uma década, e que só recentemente
foram tornados públicos.“É o próprio
Tribunal de Contas que diz que, entre 2010 e 2014, foram concedidos
avales que foram omitidos pela Ilhas de Valor”, lembrou Joaquim Machado,
deputado social-democrata, durante a audição da ex-presidente da
empresa pública Ilhas de Valor, Lubélia Chaves, através da qual foram
atribuídas garantias e avales às empresas açorianas.A
ex-administradora da empresa, também ouvida pelos deputados, garantiu
que a informação sobre os avales era prestada anualmente, embora só a
partir de 2020 tenha estado registada nas contas da empresa.“Em
termos contabilísticos, o registo da responsabilidade financeira
ocorreu no ano de 2020, quando a Ilhas de Valor teve intervenção no
pagamento”, recordou Lubélia Chaves, adiantado, que “durante todo este
período, a informação era prestada no mapa de responsabilidades de
créditos”.Os deputados sociais-democratas
anunciaram, no final da audição, que vão requerer a ida ao parlamento
açoriano do socialista Sérgio Ávila, antigo vice-presidente do Governo
regional, para esclarecer esta matéria.A
comissão de inquérito à concessão e avales a empresas privadas está a
investigar a eventual atribuição ilegal de avales ou garantias
bancárias, concedidas pelos anteriores governos socialistas, a entidades
privadas da região, que possam ter gerado benefícios a algumas empresas
ou que possam ter sido consideradas pouco transparentes.