Empresários dos Açores consideram que apoios ao turismo não são adequados
31 de jul. de 2020, 16:51
— Lusa/AO Online
“Os apoios nacionais ou regionais que
vigorarão a partir de agosto não são adequados ao setor e não permitem a
subsistência das empresas e, consequentemente, do emprego até maio de
2021”, adiantaram os empresários, em comunicado de imprensa.A
associação empresarial, que representa os empresários das ilhas
Terceira, Graciosa e São Jorge, reuniu-se recentemente com os associados
ligados ao setor do alojamento e revelou que o balanço da atividade
“continua a ser muito negativo, senão mesmo catastrófico”.“Em
plena época alta são muito poucas as reservas existentes, sendo certo
que as perspectivas a partir de setembro irão piorar. Concluiu-se
facilmente que o setor do Turismo em geral, e não só as empresas do
alojamento, não terão retorno este ano, só se prevendo uma retoma
gradual a partir de maio de 2021”, avançou.Os
empresários contestam as medidas anunciadas a nível nacional, que dizem
estar “direcionadas para as empresas que se encontram numa situação de
retoma ou normalização da atividade”.“A
medida da retoma progressiva, sucessor do ‘lay-off’ simplificado,
claramente não está pensada para as empresas deste ramo de atividade,
uma vez que prevê apenas apoio em caso de redução de horário de trabalho
e não suspensão de contrato, sendo que o apoio irá diminuir a partir de
setembro até ao final do ano, altura em que as empresas do setor
voltarão a ter quebras de faturação perto dos 100%, se não mesmo neste
valor”, criticaram.Por outro lado, alegam
que neste caso não foi anunciada até ao momento qualquer “medida de
apoio complementar”, a nível regional, existindo apenas “um complemento
às empresas que recorrem ao ‘lay-off’ tradicional do código do
trabalho”, opção que consideram “complicada” em termos burocráticos e
que parte do pressuposto "que as empresas terão que pagar a 100% as
contribuições para a Segurança Social".“É
essencial que, nesta fase de desconfinamento e retoma da economia, as
medidas existentes sejam adaptadas setorialmente e acompanhem as suas
necessidades”, defenderam.A Câmara do
Comércio de Angra do Heroísmo alertou ainda para uma “perceção errada”
da população residente de que “não é possível conciliar o turismo e a
segurança e saúde dos açorianos”, sublinhando o impacto económico do
setor do turismo noutras áreas, como a construção civil, o comércio, a
agroindústria e as pescas.“Não queremos
que à pandemia do vírus se siga a pandemia do desemprego e da miséria. É
fundamental, por isso, que a região cumpra com o que se compromete,
designadamente em matéria de testes, que se possam encontrar outras
formas de dinamizar o turismo, inclusivamente o interno, e que os
açorianos mantenham a hospitalidade que sempre os caracterizou”,
apelaram.