Empresários dos Açores alertam para baixa execução do PRR
26 de jul. de 2024, 14:38
— Lusa/AO Online
A posição da
CCIA, divulgada em comunicado, surge na sequência de uma reunião
para debater "assuntos de interesse para as
empresas e para a economia", com a Câmara de Comércio a manifestar
"preocupação com a baixa taxa de execução de alguns programas, como é o
caso da linha de recapitalização das empresas, mas também de satisfação
com os compromissos financeiros/execução de outros, como é o caso do
Solenerge [que visa o apoio à aquisição de painéis solares nos Açores]".Por
outro lado, o programa direcionado para a capitalização das empresas
regionais "é motivo de especial preocupação, não só pelo atraso na
estruturação de novos instrumentos, como também pelo que está já
disponível, que não tem merecido significativa adesão por parte das
empresas", assinala.A associação
empresarial defende que é necessário "encontrar instrumentos exequíveis,
mesmo que não sejam os ideais", que possam ajudar as empresas, como o
capital de risco, o reforço das garantias mútuas e as linhas de crédito.No
caso dos transportes, a Câmara do Comércio dos Açores alega que as
empresas e a população continuam "sem serviços da qualidade",
designadamente no que se refere à componente aérea, que "exige
continuado acompanhamento pelo impacto potencial na economia".Ainda
assim, a associação empresarial destaca como positiva a recente
manifestação de interesse da Ryanair "em repor a sua operação nos
Açores", principalmente no inverno.Em
relação ao transporte marítimo, a direção reforça a sua posição sobre o
modelo de transporte de mercadorias, que considera como "ineficiente e
muito oneroso" para as empresas e consumidores."O
transporte terrestre de passageiros continua a seguir um modelo
ultrapassado que tem levado a maus resultados do setor que se refletem
em baixos investimentos na qualificação das frotas e um serviço
insuficiente e ineficiente aos utentes. Esta é uma área que continuará a
merecer um acompanhamento e intervenção contínuos da direção", lê-se no
comunicado.A CCIA volta a defender "a
necessidade imperiosa" de criação de uma instituição de promoção externa
dos Açores e dos produtos regionais e captação de investimento externo,
alegando que estas funções "têm andado à deriva entre departamentos
governamentais e titulares políticos diversos, sem uma estratégia
coerente e eficaz".A CCIA adiantou ainda
que vai realizar, em 13 de setembro, um fórum que visa dar continuidade à
"reflexão e debate sobre assuntos relevantes" para as empresas
regionais e a sociedade, para contribuir, "em tempo útil", com propostas
para o Plano e Orçamento para 2025.Por
outro lado, a direção deu por concluída a preparação de alteração dos
seus estatutos, que vão viabilizar a participação de outras associações
empresariais.A associação revela ainda que
foram delineadas as linhas orientadoras para a eventual revisão do
Acordo de Parceria Estratégica 2023/2028, de que a Câmara é uma das
entidades subscritoras, celebrado no âmbito da Comissão Permanente de
Concertação Social do Conselho Económico e Social."Foram
considerados, desde já, como aspetos relevantes a manter neste acordo o
atual diferencial fiscal em matéria de IVA, IRS e IRC, o atual
acréscimo regional ao salário mínimo nacional e a manutenção da relação
entre ganhos de produtividade e as atualizações salariais no âmbito da
contratação coletiva de trabalho", revelou.Quanto
à contratação coletiva de trabalho, foi considerado que a revisão dos
contratos coletivos de trabalho (CCT) já negociados pelas associadas da
CCIA, "contemplam atualizações remuneratórias" que se traduzem "em
ganhos significativos de poder de compra real dos trabalhadores, como
não se verifica há muitos anos".