Empresários defendem ajuda da República ou perdão da dívida dos Açores
11 de set. de 2025, 15:12
— Lusa/AO Online
“Com a dívida que
temos, não vamos poder fazer nada. Vamos precisar da ajuda da República.
A dívida não nos vai permitir investir porque o exercício da dívida já
nos consome 325 milhões por ano. Vamos precisar de uma reestruturação
financeira. A nossa proposta é que seja de 70%”, disse o presidente da
CCIAH, Marcos Couto, numa conferência de imprensa.Segundo
o dirigente da associação empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e
São Jorge, o executivo açoriano deve pedir um perdão da dívida ou uma
ajuda financeira ao Governo da República, mas para isso tem de
apresentar um plano de reestruturação da dívida, que passe também por
uma reforma profunda da administração pública e pela privatização de
empresas públicas.“Tem de ser um plano
estruturado e que nos permita chegar à República e termos um projeto de
desenvolvimento efetivo da região”, frisou.A
intervenção da República permitirá liquidar uma parte significativa da
dívida financeira da região e acomodar a dívida comercial, explicou o
representante dos empresários.“Parece-nos
essencial que sejam colocados alguns travões à futura contração de
dívida porque, se julgarmos pelo histórico dos Açores, daqui a 25 anos
estamos outra vez de mão estendida à República”, alertou.Para
Marcos Couto a revisão da Lei das Finanças das Regiões Autónomas,
pretendida pelo executivo açoriano, não é uma solução para as contas
públicas da região porque dificilmente ocorrerá de forma autónoma.“Chegar
a Lisboa e pedir outra vez, de mão estendida, mais dinheiro, só com uma
revisão pura e dura, simples, da Lei das Finanças Regionais não creio
que irá acontecer. Basta ler os sinais que temos e perceber o histórico
dos últimos anos”, alegou.A proposta
apresentada pela CCIAH, que será agora enviada ao Governo Regional,
prevê também uma revisão da Tarifa Açores, que permite aos residentes no
arquipélago viajar por um valor máximo de 60 euros entre ilhas, uma
revisão de apoios sociais e uma revisão de impostos cobrados na região.“Todos
nós achamos que a Tarifa Açores é muito importante. Custa-nos 10
milhões [de euros por ano]. Temos de pensar se se justifica esse valor
ou se é possível encontrar um ponto intermédio”, apontou o dirigente
empresarial.Quanto aos apoios sociais, os
empresários defendem que podem ser poupados entre 32 a 33 milhões de
euros por ano, apenas nas medidas suportadas pelo Orçamento da Região,
que não abrangem subsídio de desemprego ou rendimento social de
inserção.“Trinta e dois milhões é muito
dinheiro e têm de ser progressivamente, com o aumento da economia,
diminuídos porque 32 milhões de euros na nossa realidade é um envelope
financeiro enorme”, vincou Marcos Couto.O
presidente da associação empresarial considerou, por outro lado, que a
receita fiscal da região pode aumentar em cerca de 50 milhões de euros
por ano.“Nos impostos que são cobrados na
região não poderão existir linhas vermelhas. Terá de se ter muito
cuidado com os aumentos de impostos, mas, dos estudos que fizemos,
conseguimos chegar a esse valor”, adiantou.Marcos
Couto defendeu que estas medidas devem ser implementadas “de imediato”,
porque a conjuntura macroeconómica internacional obriga a alguma
celeridade.“Temos de perceber que vão ser
medidas muito duras. Vai doer à população dos Açores, mas também tenho
de ser sincero, acho que neste momento já dói”, alertou, alegando que as
empresas já sentem dificuldades devido aos incumprimentos do Governo
Regional.Para o presidente da CCIAH, os
números da dívida pública da região comprovam um “falhanço da
autonomia”, por isso, é preciso inverter o paradigma do desenvolvimento
económico dos Açores, apostando menos no investimento público e no
emprego público e mais no desenvolvimento da economia e das empresas.“Este
não é um problema conjuntural. Não tem a ver com este governo ou com o
governo do passado. É um problema estrutural de 50 anos de autonomia,
que se tem revelado, pelo seu modelo de desenvolvimento, incapaz de ser
sustentável e de desenvolver os Açores”, sublinhou.O
modelo proposto pela associação empresarial tem como base o mercado
interno e uma aposta em cinco áreas, com maior destaque para a
agroindústria, seguindo-se a economia digital, o turismo, a economia do
mar e os mercados de carbono.