Empresários de diversão noturna e restauração manifestam-se em Lisboa por mais apoios
Covid-19
5 de jul. de 2021, 17:53
— Lusa/AO Online
“Neste
momento, estamos a falar de 60% dos espaços de diversão noturna estarem
fechados e, se continuarmos até ao final de setembro neste ritmo, os
outros todos fecham também”, afirmou o porta-voz do Movimento Sobreviver
a Pão e Água e presidente da Associação Nacional de Discotecas (AND),
José Gouveia, em declarações à agência Lusa.José
Gouveia falava sobre a situação de falência das empresas com
estabelecimentos como bares e discotecas, que estão há “15 meses
fechados por decreto” devido à pandemia de Covid-19.A
manifestação dos setores da diversão noturna e da restauração foi
organizada pelo Movimento Sobreviver a Pão e Água e decorreu em frente à
Assembleia da República, com a participação de cerca de 50 empresários,
num protesto quase silencioso, inclusive sem cartazes, mas com momentos
de fumaça em tons de vermelho e verde.Na
divulgação do protesto nas redes sociais, desde o Facebook ao Instagram,
o movimento partilhou frases como: “Como está não pode ficar”,
“Empresas com despesas e sem receitas? Não há milagres”, “Mais do que
apoios, queremos trabalhar”, “Queremos sentar-nos à mesa e negociar, do
nosso negócio percebemos nós” e “Não nos vão vencer pelo cansaço”.Perante
a participação registada na manifestação, o porta-voz do Movimento
Sobreviver a Pão e Água disse que o número de pessoas presentes “é a
imagem do nosso povo, é um povo resignado, cansado, desanimado e que
perde um pouco a força”.“Também porque as
grandes manifestações que se fizeram surtiram muito pouco efeito
político, não houve alterações, portanto as pessoas deixam de acreditar
que têm uma voz. Acho que talvez nas próximas eleições demonstrem no seu
voto a sua vontade e os seus estados de alma”, declarou José Gouveia.Apesar
de o protesto ter sido realizado em frente à Assembleia da República,
os manifestantes não receberam qualquer mensagem de apoio dos diferentes
grupos parlamentares, referiu o porta-voz, reforçando que os
participantes estão “em nome do povo”.A
manifestação serviu para deixar “algumas notas de descontentamento” em
relação à forma como as medidas de controlo da pandemia de covid-19
estão a ser desenvolvidas, nomeadamente nos setores da restauração e da
diversão noturna.“Uma noite que está
abandonada, uma noite que está fechada há 15 meses, que se prevê,
segundo António Costa, que esteja fechada até setembro. Não é possível
esta noite ficar fechada até setembro sem haver de facto um apoio
financeiro musculado. Esse apoio terminou em fevereiro deste ano, a
última vez que estas empresas viram algum apoio do Estado e não há
previsões de mais apoios”, indicou o presidente da AND.Além
da falta de apoio, o setor da diversão noturna reclama a reabertura dos
estabelecimentos, considerando que “a reabertura não tem de ser em
setembro, a reabertura pode ser antes”.“Se
não estamos a pôr em causa o sistema todo de vacinação, estamos a pôr
em causa toda a parte da imunidade”, apontou José Gouveia, defendendo
que é preciso começar a ouvir os ventos que vêm da Europa, dando como
exemplo: o Reino Unido que prevê o desconfinamento total em 19 de julho;
a França, em que o presidente Emmanuel Macron reuniu-se com os
empresários da noite para tentar encontrar uma solução em conjunto; e a
Espanha que tem discotecas e bares abertos.Sobre
o caso de Portugal, o representante das discotecas referiu que "há,
neste momento, condições para controlar, por exemplo, as festas ilegais,
e a única forma de o fazer, como aconteceu este fim de semana com 300
pessoas numa festa ilegal em Alcochete, […] é controlá-las, e o controlo
tem de ser feito, exatamente, dentro de discotecas, dentro de bares,
com todas as restrições e com todas as medidas que sejam necessárias”.