Empresários de Angra do Heroísmo preocupados com pré-aviso de greve na SATA Air Açores
Hoje 11:23
— Lusa/AO Online
“Trata-se
de uma decisão particularmente grave e profundamente irresponsável no
atual contexto da empresa e da região”, referiu a CCIAH em comunicado.Numa
carta enviada na segunda-feira à administração da SATA e a vários
departamentos do Governo dos Açores, a que a agência
Lusa teve acesso, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos
(SITAVA) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil
(SINTAC) criticaram a privatização do ‘handling’ (serviço de assistência
em escala) da SATA Air Açores (responsável pelos voos interilhas) e
emitiram um pré-aviso de greve às horas suplementares a partir de 24 de
março.Os dois sindicatos emitiram um aviso
prévio de greve a “todo o trabalho suplementar em dia útil, dia de
descanso complementar e dia de descanso semanal, a fazer pelos
trabalhadores da SATA Air Açores, a vigorar por tempo indeterminado na
empresa SATA Air Açores, a partir das 00h00 do dia 24 de março de 2026”.Para
a direção da associação empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e São
Jorge, num momento em que estão em curso “processos estruturais
decisivos para o futuro do grupo SATA, optar por formas de luta que
possam fragilizar a operação da companhia, criar instabilidade
operacional e afetar a confiança no transporte aéreo regional é uma
atitude que não serve os interesses da empresa, dos trabalhadores nem da
Região Autónoma dos Açores”.A CCIAH
recorda que o transporte aéreo constitui uma “infraestrutura vital” para
a coesão territorial, para a mobilidade dos açorianos e para o
funcionamento da economia regional. “Qualquer perturbação significativa
na operação aérea terá impactos diretos no turismo, na atividade
empresarial e na vida quotidiana das populações das nove ilhas”, alerta.Por
isso, a organização empresarial considera que este tipo de
posicionamento sindical “revela uma preocupante falta de sentido de
responsabilidade num momento particularmente sensível da vida da
empresa”.“Num setor tão crítico como o
transporte aéreo regional, atitudes que introduzem instabilidade
operacional não podem deixar de ser fortemente criticadas”, acrescenta.Os
empresários consideram que a defesa dos direitos dos trabalhadores é
legítima e faz parte do funcionamento normal de uma economia
democrática, mas “essa defesa não pode ser feita colocando em risco a
estabilidade de uma empresa estratégica para toda a região, nem criando
obstáculos adicionais a processos de reestruturação que são essenciais
para garantir a sua sobrevivência”.A CCIAH
recorda que o processo de separação e futura privatização do serviço de
assistência em escala (‘handling’) decorre de compromissos assumidos
pela região perante as instituições europeias e de exigências
resultantes do processo de reestruturação financeira do grupo SATA.Já
no que respeita à privatização da SATA Internacional - Azores Airlines,
reitera o que sempre afirmou, ou seja, que “é essencial, quer para a
sanidade das finanças públicas regionais, quer para garantir a
mobilidade de todos os açorianos, que este processo tenha um desfecho
bem-sucedido”.A 19 de fevereiro, o
coordenador da Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores manifestou
“profunda preocupação” com a privatização de 100% do ‘handling’,
alertando ser um "risco estrutural" com implicações para trabalhadores e
"todos os açorianos".Naquele mesmo dia,
ouvido na comissão de Economia da Assembleia Regional, o presidente da
SATA, Tiago Santos, considerou que a privatização do ‘handling’ da
empresa “não é uma decisão tomada de ânimo leve”, mas sim um
“compromisso da SATA e dos Governos da República e dos Açores perante a
Comissão Europeia, como contrapartida para que o auxílio do Estado
pudesse ser atribuído”, o que “salvou o grupo SATA em 2022”.A 28 de janeiro, a administração da SATA revelou aos trabalhadores que
prevê formalizar em março a separação do ‘handling’ com a criação de uma
nova empresa e iniciar o processo de privatização daquele serviço.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).