Empresários da Terceira preocupados com relatório norte-americano

22 de mar. de 2016, 12:30 — Lusa/AO online

  "Nós tínhamos expectativas, sustentadas em números avançados, que indicavam que havia vantagens financeiras e operacionais para os Estados Unidos em instalarem o centro de informações nas Lajes", salientou Sandro Paim, em declarações à Lusa. O Departamento de Defesa dos EUA entregou na segunda-feira ao Congresso um relatório que afasta a hipótese de a base das Lajes receber um centro de informações - que está planeado para Inglaterra -, ou qualquer outro uso alternativo. "A Base Aérea de Croughton, no Reino Unido, continua a localização ótima para o Complexo de Análise de Informação Conjunta. Com base em requisitos operacionais, as Lajes não são a localização ideal", disse um porta-voz do Pentágono à agência Lusa. A mesma fonte garantiu que, "dados os requisitos operacionais das missões atuais, neste momento não existem usos alternativos para as Lajes". Para Sandro Paim, o afastamento do centro de informações da base das Lajes traz "impactos muito negativos" para a economia da ilha Terceira, que vê agora as "expetativas goradas". Segundo o presidente da CCAH, estimava-se que o centro de informações trouxesse para a ilha Terceira 1.250 postos de trabalho norte-americanos, o que teria impacto também na criação de emprego local. Sandro Paim considerou que o Governo da República e o Governo Regional fizeram "o que estava ao seu alcance" para conseguir um bom desfecho, de forma consensual, mas depois deste relatório devem "exigir a revisão do Acordo [de Cooperação e Defesa]". "Não podemos estar constantemente a ser prejudicados por parte dos Estados Unidos e nada fazer. Há que dizer basta", salientou. O representante dos empresários da ilha Terceira disse que o impacto da redução militar norte-americana na base das Lajes está identificado no Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT), considerando que é preciso rever também a utilização das infraestruturas por parte da Força Aérea norte-americana. "Temos de ser indemnizados por esses impactos e, no futuro, temos de reavaliar os impactos negativos da utilização da base das Lajes", frisou. O Governo Regional defendeu no PREIT, apresentado no início de 2015, que a administração norte-americana compense a ilha Terceira com uma verba de 167 milhões de euros anuais, durante 15 anos, sendo que mais de metade dessa verba (100 milhões anuais) se destinava a limpeza ambiental. A 08 de janeiro de 2015, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, anunciou uma redução de 650 para 165 militares norte-americanos na base das Lajes. Cerca de 400 trabalhadores portugueses já abandonaram a infraestrutura, assinando rescisões por mútuo acordo, mas o processo de redução só deverá estar concluído em setembro.