Empresários da Terceira pedem comissão de inquérito às rotas da Azores Airlines
9 de ago. de 2024, 14:37
— Lusa/AO Online
“A intenção é clarificar, de
uma vez por todas, e para todos os açorianos, quais as rotas que estão,
ou foram, responsáveis pelo estado a que a companhia chegou”, justificou
Marcos Couto, presidente da CCAH, em conferência de imprensa, em Angra
do Heroísmo, acrescentando que “os critérios de rentabilidade têm de ser
iguais para todos os açorianos”.A decisão
da CCAH surge na sequência da decisão anunciada pela Azores Airlines
(empresa do Grupo SATA que faz as ligações do arquipélago com o
exterior) de reduzir as ligações da companhia aérea açoriana durante o
próximo verão IATA, entre os Estados Unidos da América e a ilha
Terceira, situação que é vista com “enorme insatisfação” por parte dos
empresários.“A justificação é sempre a
mesma e já não convence: a rentabilidade da rota”, lamentou Marcos
Couto, considerando que é “clara a existência de fortes bloqueios
internos”, dentro da companhia aérea açoriana, “que impedem,
sistematicamente, a implementação de novas iniciativas” relacionadas com
a Terceira.O presidente da CCAH lembrou
que, ao longo dos últimos cinco meses, apresentou à Azores Airlines um
projeto, em parceria com a cidade do Porto, para a realização de seis
ligações entre os Estados Unidos da América (duas Boston, duas Toronto e
duas Nova Iorque – JFK) e o aeroporto do Porto, com ‘stop over’ na Ilha
Terceira.“O projeto, elaborado por esta
Câmara do Comércio e com a pronta adesão do gabinete de Turismo da
cidade do Porto, foi trabalhado ao longo de vários meses e apresenta um
produto turístico absolutamente único e inovador, não só para os Açores,
mas também a nível nacional, e que tem por designação ‘Atlantic
Heritage & Freedom Cities’, com um foco específico no mercado
norte-americano para a época baixa”, explicou o presidente da CCAH.A
intenção, segundo revelou o empresário, seria “romper com o passado”
das operações aéreas para a Terceira, baseadas em ligações “ponto a
ponto”, consideradas “altamente dispendiosas e difíceis de
rentabilizar”, passando a assentar num modelo de ‘stop over’ com dois
destinos, “claramente rentável e capaz de alavancar o destino Terceira,
em parceria com a cidade do Porto”.“Após
múltiplas reuniões, sempre com boas perspetivas e reconhecimento da
qualidade única do produto, mas sem qualquer resposta concreta, fomos
agora surpreendidos, por parte da companhia, com apenas uma ligação
semanal”, lamentou Marcos Couto, salientando que “não foi a Ilha
Terceira, nem as rotas operadas de e através dela, que colocaram a
companhia no estado em que esta se encontra”.O
empresário lamentou também a “inoperância da Direção Regional do
Turismo” na estruturação da oferta e posicionamento do destino Terceira,
que teria como grande objetivo o combate à sazonalidade e a ajuda aos
hotéis e a todos os agentes turísticos da ilha “a ultrapassarem os
momentos extremamente difíceis que vivem nos meses de inverno”.“É
de destacar e enaltecer a resiliência, empreendedorismo e determinação
em investir que os empresários da área do turismo têm revelado na ilha
Terceira, com a abertura de várias unidades hoteleiras de pequena e
média dimensão, de enorme qualidade”, salientou Marcos Couto, lamentando
que a dinâmica empresarial não seja devidamente apoiada “por quem tem
responsabilidades políticas”.