Empresários da Terceira exigem explicações sobre ligações da Delta aos Açores
6 de dez. de 2018, 16:20
— Lusa/AO Online
“A
direção da CCAH estranha as notícias divulgadas em vários jornais que
dão conta de declaração do ex-embaixador dos EUA, Robert Sherman,
referindo que a ligação aérea da Delta Airlines a São Miguel surgiu como
contrapartida do ‘downsizing’ da base das Lajes”, afirmaram os
empresários, em comunicado de imprensa.Em
causa está uma entrevista do antigo embaixador dos Estados Unidos da
América em Lisboa, Robert Sherman, ao jornal Expresso, em que o
norte-americano dá a entender que a ligação da Delta foi uma medida de
mitigação dos impactos socioeconómicos da redução militar
norte-americana na base das Lajes, na ilha Terceira."Criou-se
um voo direto da Delta Airlines para Ponta Delgada. A nível da
tecnologia, há oportunidades para fazer mais no lançamento de
microssatélites. O MIT [Massachusetts Institute of Technology] acaba de
relançar a sua colaboração com as universidades americanas. Fala-se de
utilizar os Açores para estudar as alterações climáticas. Há muitas
discussões em curso, e não apenas entre os Estados Unidos e o Governo
português. Tenta-se que haja um esforço internacional”, adiantou Robert
Sherman ao Expresso.A
administração norte-americana anunciou, em janeiro de 2015, uma redução
de cerca de 500 militares na base das Lajes, localizada na ilha
Terceira, o que levou a uma redução da força laboral portuguesa para
metade, com 450 trabalhadores a assinarem rescisões por mútuo acordo.A
Delta Airlines iniciou em maio de 2018 uma operação para os Estados
Unidos a partir de Lisboa e de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel,
contando esta última com cinco ligações semanais.A
CCAH, que representa os empresários das ilhas Terceira, São Jorge e
Graciosa, já tinha questionado o Governo Regional dos Açores sobre esta
possibilidade e exige agora que o executivo preste novos
esclarecimentos.“No
início deste ano, a direção da CCAH emitiu comunicado a pedir
esclarecimentos à Embaixada dos EUA e ao presidente do Governo Regional
dos Açores, tendo obtido respostas claras no sentido contrário ao que
agora é veiculado. Perante estas declarações, a direção considera que as
entidades competentes deverão esclarecer, com total transparência, todo
o processo de negociação estabelecido”, frisou. Os
empresários reivindicam ainda um “acordo ‘interline’ da SATA Air Açores
com a Delta”, alegando que a falta dessa medida coloca em causa “o
desenvolvimento do turismo nas ilhas do grupo central”.“O
período de maior venda de pacotes turísticos nos Estados Unidos da
América é janeiro e fevereiro, pelo que é urgente a resolução deste
entrave ao desenvolvimento da economia do grupo central”, salientaram.No
mesmo comunicado, a associação empresarial congratula-se com o início
da operação de transporte aéreo de carga do consórcio Mais, da Madeira
Air, com cinco ligações aéreas entre Lisboa e Ponta Delgada e extensão à
ilha Terceira três vezes por semana.“O
transporte aéreo de carga é uma revindicação antiga da CCAH e essencial
para o desenvolvimento da economia da região. A direção está a
acompanhar este assunto e aguarda a todo o momento uma reunião com a
empresa responsável pelo transporte da carga”, apontou.Já
no que diz respeito ao transporte marítimo, os empresários reivindicam
“medidas urgentes” para fazer face às greves “contínuas e prolongadas
dos estivadores”, que têm tido “consequências nefastas no tecido
empresarial, com os atrasos de entrega das suas mercadorias, que são
agravadas neste período de Natal”.“Devem
ser tomadas medidas urgentes de forma a diminuir os constrangimentos
existentes na operação de carga dos portos da região”, salientou a CCAH,
manifestando a sua disponibilidade para “colaborar no que for
necessário nesse sentido, no âmbito das suas competências”.